Pellizer

Publicado: novembro 15, 2010 por madbaka em Contos
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Primeira parte da crônica : Perfectus  ^^

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Eu lembro que estava em uma sala, sentado no sofá esperando alguém. Pessoas vinham e iam e nenhuma olhava para mim. Tentei chamar algumas, mas nenhuma me deu atenção. Não sabia a quem estava esperando, mas estava à espera de alguém.

Lembro-me de ver o Sol nascer e morrer algumas vezes, mas não sai daquele sofá vermelho e confortável, era couro? É, acho que sim. Fiquei sozinho naquela sala umas quatro vezes, sozinho no escuro. Não sentia fome nem sono, para ser sincero não lembro se estava mesmo com sono e fome, acho que sim, sei lá.

Foi ai que ele apareceu, a pessoa ou coisa, defina como quiser. Era branco como papel. Usava um terno preto com listras vermelhas. A cabeça era desproporcional ao corpo, era do tamanho de um adulto de 20 anos, e o corpo de uma criança de no máximo 10.

Levantei finalmente, mas fiquei em pé apenas por alguns segundos e logo sentei. Ficar em pé cansava. Olhei para aquilo e o chamei, chamei pelo nome dele. Não sabia de onde sabia o nome daquilo, mas sabia. Ele veio até mim e ficou na minha frente. Notei mais algumas coisas nele: não tinha nariz e a boca tinha apenas alguns dentes podres imensos, que mal cabiam na própria boca. E seus olhos?Seus olhos lembravam uma cobra, ou um gato? Acho que eram os dois.

– Sim, os dois, hooho. Bela observação, ho – disse ele lendo meus pensamentos – como irá ser hoje, hein? Hoho! Parece que hoje você irá finalmente aceitar a proposta, ho!

Falei algumas coisas que realmente não me lembro. Ele começou a rir e logo se tornou uma gargalhada. E estranhamente fiquei com raiva, achei bem irritante, de verdade.

– Deixe tudo para trás, meu lindo espécime, hohoo! – continuou – Yeah, venha, venha! Vamos nos arriscar um pouquinho agora, sim. Ho!

Ele levantou e entrou em um alçapão no meio da sala, não tinha notado aquilo. Levantei daquele confortável sofá e o segui, já estava cansado, mas estava curioso sobre me arriscar com aquele demoniozinho. Descemos por uma escada de madeira, depois por alguns lances de escada até chegarmos a mais lances de escadas, dessa vez com degraus maiores. Logo eu estava pulando degrau em degrau para poder alcançar aquela coisa. Ela parou de frente a uma porta e então bateu três vezes. Olhei em volta e vi que tinha mais lances de escadas com degraus imensos em volta, fiquei imaginando se iria precisar descê-los, e só de pensar fiquei exausto.

A porta se abriu, um ser gigante tinha aberto ela por dentro. Tinha uns 2 metros de altura, teve que abaixar a cabeça para não bater na porta. Era azul. Usava uma camisa vermelha rasgada e segurava uma maça dourada na mão direita, onde tinha três dedos. Usava uma calça marrom desbotada e feia, assim como ele.

– Ho! Deixe-nos passar, sim. – disse o demoniozinho – tenho que levar esse docinho para se arriscar, hooho!

O gigante azul abriu caminho, quando passei por ele percebi que ele fedia muito também. Para minha infelicidade encontramos mais lances de escada, mas dessa vez era para subirmos. Achei aquela atividade muito chata. No final da escada, não acreditava no que estava vendo, pois não estava vendo nada.

– Pois bem! Ho! Agora teremos de pular, siga-me, sim. – decretou ele enquanto já pulava.

Pulei junto, não sei quanto tempo fiquei caindo, mas com toda a certeza foi mais de um minuto – com certeza. Quando chegamos ao chão, situação não muito prazerosa para mim, pois senti um choque nos pés que doeram muito. Estávamos numa arena. Uma cerca verde de jardim cobria a arena separando ela da arquibancada, que estava cheia de monstros invisíveis, não sei como vi, mas sabia que eles estavam lá me observando, vários deles.

O demônio estava do meu lado, rindo e consecutivamente me irritando.

– Hoohooohooo! Estamos aqui finalmente, hein?! Vamos, se prepare docinho, logo terá que lutar com um deles sim? Hoho! Não me desaponte – setencionou ele, enquanto tentava pular a cerca verde desesperadamente.

Escutei um barulho vindo de cima, levantei a cabeça e vi que um cachorro estava caindo. Era um cachorro estranho em todos os sentidos. Era estranhamente grande, estranhamente vermelho, estranhamente raivoso e estava estranhamente com fome, eu acho. Tive que dar uns três passos para trás para ele não cair em cima de mim, aquele maldito cachorro mal educado.

Comecei a pensar se era contra ele que deveria lutar, achei a idéia divertida, não tinha gostado dele mesmo. Quando dei o primeiro passo, percebi que o cachorro já tinha vindo para cima. Fiquei em choque, não sabia o quê faria se desviava ou ataca. Decidi então defender. Levantei meu braço esquerdo e me protegi com meu dom, ou o quê se pode dizer de defesa.

Sabe, eu tenho um poder estranho. Consigo transformar meu corpo em partes de qualquer animal, até animais que minha mente imagina. Transformei meu braço esquerdo em uma concha de tartaruga, fiz isso por que lembrei que o casco é muito resistente, muito esperto da minha parte realmente. O cachorro o mordeu e escutei seus dentes quebrarem. Mentira. Escutei e vi o casco se destruir inteiro na boca daquele monstro. Quase perdi meu braço. Quase.

Fiquei com raiva, muita raiva. Quem aquele cachorro pensava que era para fazer isso com meu casco novinho? Reconstrui meu braço novamente, dessa vez transformei meus braços em duas cobras imensas, que chegavam ao chão. Investi-as contra o cachorro que não demonstrou muita resistência enquanto as presas de ambas as cobras jorravam veneno pelo pescoço do animal, matando-o.

Senti-me bem, muito bem. Fiz as cobras sumirem, voltando meu braço ao normal. Foi então que escutei mais barulhos vindos de cima, quando olhei, mais alguns cachorros estranhos estavam vindo. Estava ferrado.

comentários
  1. Juliana França disse:

    sinceramente . muito bom !

  2. joão disse:

    explica o titulo? ‘-‘ (hoho pra sacanear,mas namoral não entendi)
    emfim,isso parece um prólogo para uma história..
    no mais ficou ótimo.
    haha,primeiro a dar estrelas pra voces. `-`~ me venerem; Ou não…

  3. joão disse:

    Primeiro* affe.’-‘

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