Henrique

Publicado: novembro 16, 2010 por madbaka em Contos

Segunda parte da Crônica: Perfectus ^^

 

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Eu lembro que estava numa solitária. Estava lá por quase matar meu colega de cela, apenas por prazer, logo no primeiro dia.
Foi por isso que vim parar na prisão: Matei várias pessoas por quase nada. Apenas gostava daquilo, minha primeira vitima foi meu um valentão do ultimo ano da faculdade. Matei-o de forma cruel, e pendurei o cadáver de frente ao prédio onde morava. Depois disso, peguei gosto pela coisa. Comecei com pessoas que não eram ligadas a mim, como mendigos, drogados, ladrões e prostitutas. Aos poucos fui me envolvendo com o submundo, com os caras da pesada. Virei o mercenário deles. Era o melhor, sabia disso. Matava qualquer um que me pedissem e desse o valor certo. Mas depois de algum tempo ficou sem graça, era sempre a mesma coisa. Entrar, atirar e matar. Não existia mais o medo de morrer, o desespero de se ferir e sentir que eram seus últimos momentos na terra. Esse ciclo se tornou monótono demais. Por isso me entreguei, estava cansado dessa vida e por que não morrer pagando por tudo que fiz até ali? E se eu matasse alguém lá dentro não faria diferença, todos são da mesma laia que eu. E assim tem sido durante 6 meses.

Alguma coisa tinha acontecido naquele dia, pois ainda não tinham ligado a luz dos corredores. Passou-se algum tempo e percebi que estavam demorando com o café da manhã. Abri a janelinha da porta e não vi nada, estranho, era para ter algum guarda ali. Chamei duas vezes e fiquei sem resposta por algum tempo. Foi então que escutei tiros vindo de fora, parecia vir do pátio central. Tiros eram disparados para todo canto, alguns até entraram pela janela da solitária. Isso durou por menos de um minuto então um silêncio assustador tomou conta de tudo.

Fiquei gritando e chamando os guardas, mas nenhum vinha, nem nada. Pensei que estava ocorrendo alguma rebelião, mas estava silencioso demais. De repente escutei um barulho vir do corredor da solitária. Abri a janelinha e vi algo que não teria visto nos meus piores pesadelos.

Vi um monstro roxo e pequeno. Seus olhos eram apenas uma luz amarela e com dentes grandes e afiados. O rosto parecia deformado igualmente com o resto do corpo e suas mãos e seus pés tinham unhas gigantescas e afiadas como garras. De repente ele sumiu, fiquei procurando ele com os olhos e não encontrei. Quando terminei de olhar pela janela e virei o rosto para dentro do quarto, aquela coisa estava em cima de minha cama.

– Bom dia – disse o monstro com uma voz fria e cruel – vejo que não essssstá felizzzzzz aqui… Ssssssssei aonde você gosssssssstaria de essssssssstar… Sssssssssei o quê você gossssssstaria de essssssstar fazzzzendo… – sua voz parecia ser de uma cobra.
– O que diabos é você? – perguntei me recompondo, tentando entender o quê estava acontecendo ali, mas sem muito sucesso.
– Logo você dessssscubrirá, humano. Eu vejo em sssseusss olhosss! Vejo ssssimm! Eu vejo o fogo nelessss! Vejo a cor rubra do sssssssangue! Vejo o ódio de tudo e de todossss! E principalmente, vejo o prazzzer que isssto é para você!
– Do que esta falando?! O quê você faz nessa prisão? Em?! – comecei a perder a paciência, que já não tinha.
– Morte! Você gosssssta dissssssso né?! Gosssssta do cheiro da morte! Gosssssssssta de MATAR! – gritou – GOSSSSSSSSTAA SSSSSSIMM! MASSSSSS! – deu uma pausa e continuou – humanossss sssssãão tão frágeisss! Morrem muito fácil! Fácil demaisssss! Proponho-te uma sssssssssaída daqui! Proponho-te oponentessssssss de verdade! Proponho-te um dessssafio de vida ou morte!
– Sim… Realmente gosto disso… Mas por qual motivo esta aqui me propondo isso? – perguntei. Realmente, aquela proposta era interessante. Coisas novas para matar, e novos brinquedos, interessantíssimo.
– NÃO INTERESSSSSSSA O MOTIVO NÃO É MESSSMO? TUDO VALE A PENA PARA SSSATISSSFAZZZERR A SSSSSEDE DE SSSSSSANGUE NÃO É?! – ele berrava, mas de forma controlada – te darei o poder necessssário… Poisssss desssssse jeito que esssta não iria agüentar muito…
– Mesmo? Eu tenho armas, nada consegue agüentar um tiro no meio da cara! – respondi cético.
– Ingênuo! Ingênuo! Por isssssssso humanosssss morrem!! Confiam demaissssss em ssssssuassss ferramentassss! Ferramentasssss humanasssss só funcionam em humanossssss! Você irá lutar com outrasssss coisssssass, irá lutar contra demôniossssssssss! E para issssoo, ssssssse tornará um também!
Comecei a rir, aquela idéia era incrível! Virar um demônio? Lutar contra demônios? O quê diabos era tudo isso? Era louca demais! Era insana demais! Por isso aceitei. O monstro me disse o nome dele e disse o quê iria acontecer dali em diante. Deu-me um papel para assinar, um papel com uma escrita estranha, parecia egípcio. Disse-me para assinar com sangue e cortou meu dedo com uma de suas garras e caíram 3 gotas de sangue no papel que na mesma hora sumiu misteriosamente.
– Está feito? – perguntei.
– Sssssssimm… Agora… Irão tessstar ssssssseu poder… Adeusssssss – sumiu da mesma forma que apareceu.
Logo escutei alguma coisa forte se bater contra a porta, era alguma coisa grande. Preparei-me, imaginei que algum animal estranho estivesse ali tentando quebrar à porta e quando ele conseguisse quebrar era a chance que eu tinha para testar esse tal poder que tinha sido me dado. Subi em cima da cama e fiquei esperando. As batidas cresciam de intensidade e velocidade, cinco batidas tinham sido feitas e a porta já estava quase cedendo. Na sétima batida ela quebrou, dei um salto e pisei na cabeça de uma coisa grande e cinza, olhei de relance para o lugar, mas estava tudo escuro. Sai correndo e comecei a pisar em alguma coisa gosmenta e escorregadia. Dei alguns passos e então cai no chão.

Tentei levantar, mas não conseguia. Mais coisas começavam a se juntar em mim, fazendo meus movimentos ficarem mais lentos até pararem. Pensei no que aquele demoniozinho tinha dito, no poder que tinha me dado, ele não me disse como era e comecei a duvidar se tinha mesmo algum poder, e tudo que tinha visto agora não tinham sido uma peça da minha cabeça. Fiquei com raiva daquela situação, raiva do demônio que tinha me feito de bobo, raiva daquela situação, e mais raiva ainda dessas gosmas malditas que estavam me prendendo. Foi então que aconteceu. Minha pele começou a se transformar, uma chama negra saia de dentro dela e logo cobriu todo meu corpo. Então me senti livre, as chamas pareciam ter derretido aquelas gosmas. Levantei e me senti estranho. Sentia o cheiro de muitas coisas, principalmente sangue. Minha visão também tinha mudado, conseguia ver mais nitidamente as coisas Vi que o corredor estava lotado de pequenas gosmas rosa. A princípio pensei que eram gosmas mesmo, mas logo vi que tinham olhos e boca. Começaram a se juntar rapidamente até se tornarem uma única gosma rosa gigantesca.

Fiquei olhando para meu corpo imaginando o quê poderia fazer com esse poder. Levantei meu braço e mirei naquela gosma maldita e nojenta, imaginei vários projéteis de fogo saindo dela e assim aconteceu. Cinco bolas de fogo negro foram disparados contra aquilo, acertou em cheio mas não tinha sido destruído por completo ainda. Repeti o movimento, agora fiz com as duas mãos, fiz bolas maiores e poderosas conseguindo destruir o monstro por inteiro.
Comecei a dar gargalhadas de prazer, e a insanidade tomou conta de mim. Comecei a soltar bolas de fogo imensas para todos os lados, destruindo tudo em volta.

Senti uma fisgada em minha perna e uma coisa passando rápido por dentro de mim. Era aquela coisa grande que tinha destruído a porta da solitária. Parecia um rinoceronte, mas era de um porte menor como de um porco. Não tinha boca, era apenas um buraco verde no meio do rosto. Ela vinha avançando novamente. Comecei a atirar nela, mas parecia não fazer efeito nenhum. Desviei da segunda investida e da terceira. Minhas bolas de fogo não funcionavam, e se aquela coisa me acertasse iria doer. Um sorriso malicioso surgiu em minha face. Tive uma idéia.

Agachei e enfiei as mãos no chão de concreto, fiz meu fogo ser mais forte ali nas pedras, fiz o fogo arder da forma mais forte que conseguia e então puxei para fora. Meus braços tinham se misturado as pedras e se tornaram magma. Assim que aquele monstro desse mais uma investida, daria o golpe final. Esperei, mas ele não veio. Parecia com medo de alguma coisa. Foi então que senti um estrondo. Alguma coisa estava batendo naquela ala da prisão e destruindo ela. O prédio iria desmoronar a qualquer momento com aqueles estrondos. Tratei de sair logo dali, aquele protótipo de rinoceronte demoníaco iria morrer ali enterrado nos escombros de qualquer forma. Sai correndo pelo corredor. E assim que alcancei a saída, me deparei com um monstro imenso.

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Um texto que fiz me baseando em ” termos ” na série Shin Megami Tensei. Espero que gostem, e se fizerem criticas que sejam construtivas por favor.

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