Amor

Publicado: novembro 20, 2010 por madbaka em Contos
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Uma noite escura de lua cheia. Ventava e chovia muito naquela noite de tristeza. O vento trazia noticias ruins, noticias de morte provocada por amor. Duas pessoas, um corpo e um fantasma, esses eram os principais atores naquela noite melancólica.

Uma pessoa berrava enquanto a outra estava no chão, aos prantos, abraçando o corpo que outrora fora tão vivo e belo, mas que agora estava ali naquele chão, inerte, banhado em seu próprio sangue. E o fantasma estava apenas a observar, observar e chorar. Era uma mulher que gritava como louca.

Uma mulher enlouquecida e cega por um ciúme doentio. Ciumes de sua amiga, por uma traição. Sim, Camila, a “amiga”, tinha traido ela, roubado o amor da vida dela. E agora, Camila fora roubada também, porem, roubaram-lhe a vida. Tentava explicar que tinha feito aquilo por amor, por amor ao homem que estava ali, chorando por outra, chorando por uma morta. Será que mesmo morta ainda continuaria atrapalhando seu amor?Não entendia, agora estavam livres um para o outro, não existia mais obstáculos no caminho deles e podiam ser felizes. Não entendia por que o amado dela estava ali, sofrendo por uma morta, sendo que tinha a quem amar, tinha ela para amar. Mas essa felicidade que ela almejava não era a felicidade que aquele homem queria.

O homem caído ali, chorando pela perda, chorando pela verdadeira amada dele. Amada que tinha sido arrancada para longe dele, sendo impossível trazê-la novamente. Trazê-la dos confins da morte fria e implacável. Sofria demais, nunca mais poderia abraçá-la e sentir o calor de seu corpo, pois o calor não existirá mais, o que existirá era apenas um frio e aterrorizante.

O fantasma  chorava, chorava por ser a atriz principal daquela cena horrível. O corpo ali estirado naquele chão frio outrora foi seu. O amor perdido que o homem ali clamava também era seu, e o amor que sentia era dele. Também sentia outro amor, um amor diferente, um amor mais doce e leve, um amor fraternal. Amor que sentia por sua assassina. O motivo maior de sua tristeza era saber que o sangue que escorria pelo chão, que estava na faca é também o sangue que corre nas veias da assassina, era de sua irmã, Carina.

comentários
  1. Keh Checchia disse:

    Apesar de ser muito do mal… é legal ;)

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