Cadeira de balanço

Publicado: novembro 22, 2010 por slyfer052 em Contos
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        Estava voltando do trabalho, algo que faço todo dia, não que eu queira repetir a rotina, é apenas algo necessário. Desci do ônibus… O vento gélido jogou meus longos cabelos para trás. Não senti tanto frio, estava bem agasalhada. Andei até minha rua, e notei que alguém estava sentado numa cadeira, aquelas de balanço… NO MEIO da rua. O vento zuniu em meus ouvidos, o céu nublado escondia a lua. E eu parei. – “Estou vendo direito?”, pensei incrédula.

        Dez segundos se passaram, mas pareciam minutos. – “Idiota! Por que parei?”, pensei comigo mesma. – Meus passos voltaram, estavam mais rápidos, mas na hora não percebi. À medida que me aproximava, e a cadeira continuava a balançar, notei que era uma idosa… Pelo tamanho, pela face enrugada, e os cabelos grisalhos refletidos pela luz fraca dos postes. Ela possuía um gato em seu colo, não parava de acariciá-lo, e o gato, no entanto, não se mexia. Passei de cabeça baixa, o mais afastado o possível da “velha e seu gato”.

        – Venha cá.

        Olhei. – “puta que pariu! Idiota!… Era só seguir em frente, por que você olhou?” – A velha estendia uma de suas mãos a mim. Como se pedisse para me aproximar. Poderia passar direto, fingido que não tinha ouvido. No entanto, havia olhando para ela, e ela sabia disso. E eu sabia que ela sabia. Logo, seria falta de educação não atendê-la… Na verdade, não sei se foi por educação, ou se foi algo sem pensar, mas fui até lá.

        Os braços dela eram finos, com veias saltando. Seus cabelos grisalhos e longos se espalhavam pelo vento. Possuía um agasalho de lã, e estava com uma saia. Seu gato mantinha-se imóvel, sua pelagem negra se misturava a escuridão que se formava a partir das sombras de sua dona, deixando em destaque porem, seus olhos cinzentos.

        – Ehh… Posso ajudar senhora? – me abaixei para ficar da mesma altura. Ela segurou as minhas mãos – “que mãos frias… deve ser pelo frio”.

         Ela deu dois tapinhas em minhas mãos. – Minha jovem – dizia a voz rouca, enquanto balançava a cabeça de forma negativa- Tome cuidado. Algo de ruim vai lhe acontecer amanhã. – Ela sorriu. Não sei o que ela quis dizer com aquilo, nunca havia a visto. – “Seria ela uma vidente ou algo do tipo?”.

        – Okaayyy… – Puxei minhas mãos de volta. – Obrigado senhora… Vou tomar cuidado…

        E Sem mais nenhuma palavra, nosso diálogo terminou ali. Andei até minha casa. Por curiosidade, olhei em direção a velha, ou onde ela deveria estar. Porque, lá, estava apenas a cadeira a balançar.

        Entrei em casa, me troquei, escovei os dentes, e deitei. – “velha maluca”, lembrei da situação de minutos atrás… Ajeitei-me entre o cobertor, Fechei os olhos, imaginei ter ouvido um gargalhar maléfico, e dormi.

        No dia seguinte, nada aconteceu.

comentários
  1. Erika disse:

    Velha sinistra… =S

  2. Keh Checchia disse:

    Velha do mal… #MEDO

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