Um fim

Publicado: julho 30, 2012 por slyfer052 em Contos
Tags:, , , , ,

Não acredito que isso está acontecendo.

– Vamos acabar logo com isso, Morg.

Em pleno feriado e estamos entrando no esgoto. Há dois dias, estamos fazendo uma busca por crianças desaparecidas, e por simplesmente terem os visto na região, nos mandam pra cá. Levantamos a tampa do bueiro e já senti um forte odor nauseante. Virei meu rosto quase que instantaneamente, insignificantemente. Meu estomago embrulhava enquanto tentava simplesmente respirar.

-Desce logo!

Desci.

Minhas botas afundaram naquela mistura de bosta com restos de comida, lixos úmidos e roedores menos afortunados.

– Você está com sua lanterna?

Marshall e eu trabalhávamos juntos há meses, e desde o momento em que o vi pela primeira vez, o tive vontade de socar.

– O que você acha? – A liguei.

A pouca luz que se passava pela lanterna era suficientemente inútil. Quase não víamos o que estava em frente… Andávamos na parte rasa daquele esgoto ridiculamente elaborado.

– Será que foram os crocodilos?

Apenas o encarei, e foi mais que o suficiente para lhe calar.

Por sua vez, o túnel circular que se sucedeu me dava repulsa. Não apenas pelos chiados dos ratos estalados ou pelo cheiro, mas aquilo… Lembrava-me algo. Talvez do sótão da minha casa, onde passara parte de minha infância… Ou talvez, outra coisa. Outra coisa.

– ALEX! JOSH! MELANY! – Gritava Marshall pelas crianças. Esperançoso… Idiota.

Andamos durante quase uma hora, e a única coisa que encontramos foram ratos. Até que Marshall saiu correndo.

– Vi alguma coisa! – E ele correu fazendo espirrar aquela água espumosa em minha calça.

Um boné infantil. Há essa hora, as crianças já deviam ter apodrecido, mas a porra daquela de boné? Não! E isso foi o suficiente, para Marshall me convencer a não desistirmos da busca. Como me odeio por ter lhe dado atenção.

Andamos.

E andamos.

Estranhamente notamos a diminuição de ratos na direção que íamos. Logo, seus chiados viraram sussurros distantes em meus ouvidos.

Aquele lugar me repreendia, sentia que deveria saber de algo. Mas o que?

A lanterna desligou e dei alguns tapas para que voltasse. E quando o fez,voltando minha concentração, ouvi a água. Ela corria a frente. Apressamos os passos e chegamos a uma bifurcação onde seguimos a água corrente para a esquerda. Nessa hora, a água havia passado do joelho, e o cheiro já não mais me afetava como antes. Pelo boné, no fundo acreditávamos em achar ao menos um fim para essa história, ironicamente, achamos o fim naquela noite.

Ao final do corredor, vimos e ouvíamos que a água descia, caia num estranho mini-córrego que não nos dava passagem.

Lá, tive a impressão de ter visto algo sair daquela água imunda. Algo viscoso. Que me fez engolir em seco ao me lembrar de relance das histórias de meu avô sobre monstros do esgoto. Entretanto, antes que eu pudesse terminar meu pensamento Marshall fora puxado.

– O q…! – Mergulhou numa força absoluta, arrastado.

Fiquei sem reação por instantes – Atirar ou correr? – Eu pensei, mas não corri. Minha alma corria como uma carcaça corre de um abutre, não dá! Não enquanto algo lhe fitava num tom inexplicavelmente cinzento e verde, em forma grotesca junto do chão. Com um brilho triangular e quadrado, e intenso amarelo em seu interior. Os olhos.

Minhas pernas bambearam. As lagrimas escorreram de meu rosto. E vi lentamente seus tentáculos se levantando contra mim, sumi.

.

.
.

Foi o que me aconteceu. E você, como chegou aqui?

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s