Ingênuidade

Publicado: outubro 25, 2012 por slyfer052 em Contos
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A garota desceu da cama, colocou seus pequenos pés no chão gelado e foi até a janela. Esticou-se para abrir a trava e empurrá-la, com um “crank” mal feito, a janela se abriu e uma brisa suave bateu em seu rosto, balançando seus curtos cabelos. Do outro lado, a lua brilhava num tom mórbido, linda, com algumas nuvens cinzentas em volta. Seus olhos brilharam ao ver algo alem daquele quarto, e simplesmente, deitou sua cabeça sobre a janela apoiada com os braços.

Tossiu um pouco, mas não saiu dali. Um zunido alto invadia seus ouvidos, o vento se intensificava. Todavia, ela queria ficar ali, por algo, não sei, não se sabe, nem ela sabia… Ela sentia.

Um suave sono infantil estava a domando pouco a pouco, bufou. Seus olhos lagrimejaram e começaram a se fechar lentamente, então piscou forte duas vezes para tentar despertar. Piscou mais uma vez, e quando abriu os olhos tudo parecia diferente. O sono já não era sentido. Desencostou a cabeça dos braços então, e olhou curiosa para a lua, a mesma continuava lá, mas algo estava diferente.

– Boa noite.

A pequenina olhou de volta para o quarto, e no canto, sim, aquele canto escuro que a luz amarelada do abajur mal alcançava, dele havia alguém. Não conseguia o enxergar perfeitamente, algo envolta do mesmo estava a tirar sua nitidez.

– Quem é você? – Perguntou ela sem hesitar, curiosa.

Ele ficou surpreso pela curiosidade da garota, e principalmente, o fato de não a ter assustado.

– Ora, sou aquele a quem todos visita um dia – A voz aveludada percorria a sala silenciosa, num tom grave e profundo.

Ela se atentou, e olhou o ser mais uma vez… Dos pés a cabeça…

– Não sei quem é você, É algum um médico?

– Você queria que eu fosse um médico?

– Não…

– Então eu não sou um médico.

– E o que você é?

– Sou eu que vou lhe levar embora – Se aproximou dela, e deixou que a luz da lua o iluminasse.

– Mas… – Fez uma pausa para analisar o sujeito – Por que vai me levar embora?

– Porque está na hora, minha querida – Passou os dedos esqueléticos sobre a testa da garota – Vamos?

– Mas… Você vai me levar aonde? – Naquele momento, não se soube se fora a curiosidade, a esperança, ou o medo que impulsionaram essa pergunta.

– Pra um lugar melhor… – disse tranquilo.

Ela pensou por alguns instantes no significado dessas palavras, refletiu, e concluiu.

– Vai ter bolo lá, né?

A criatura mostrou singelamente seus dentes, rendendo-se a ingenuidade da menina.

– Sim, pode ter bolo por lá…

– Então vamos! – disse num salto de alegria, indo até a porta e a abrindo lentamente, então parou, confusa… – A mamãe pode vir junto?

Ele olhou para a mãe da garota, dormindo na poltrona ao lado da cama, exausta.

– Ela vem, só não agora.

Ela concordou, olhou a lua uma ultima vez. Brilhante.

Abriu a porta.

– moço, você é muito engraçado sabia?

– Sou?

– É… – tentou conter a risada –… Nunca vi um homem de vestido preto… Hahahá

Ele se manteve em silencio, e a menina, segurando a mão da criatura passeou por um longo corredor, de silencio e paz…

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