O julgamento 2

Publicado: março 1, 2013 por slyfer052 em Contos
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            A claridade se espalhava naquele ambiente inteiramente aberto. Sem objeto algum, sem nada material. Apenas a claridade, a luz, a paz.

            Um ótimo lugar pra se estar, um ótimo lugar para se relaxar, para se pensar na vida, nas crianças, no mundo…

            Tranquilo.

            Tchutchatchatchutchutcha

            Um som invadiu o local. O nada se desfez, alguns carros na terra bateram, e alguns anjos morreram naquele momento.

            – O que diabos, é isso?! – Indagou Deus ainda com sono.

            Puff! O diabo apareceu.

            – Chamou?

            – Não, não! De onde está vindo essa música?!

            – Que música? – Indagou o Coisa ruim enquanto coçava o chifre.

            – Fica quieto e presta atenção!

            Eles se aquietaram, e olharam ao redor lentamente, esperando algo estranho ou surreal. E então ouviram bem distante…

            Tchutchatchatchutchutcha…

            Mas ouviram.

            – O que é isso?! – Perguntou o Esquerdo, embasbacado com o som perturbador.

            – É o que estava me perguntando! – Ainda embasbacado.

            -… Talvez seja… Obra dos seus filhos…

            O som continuava e repetia infinitamente.

            – Han? Mas Jesus nunca faria uma coisa dessas! – Resmungou o pai protetor.

            – Não! Os outros filhos.

            – Ahhhhh, entendi. Será?

            E por um momento, o som parou.                   

            Eles se entreolharam rapidamente.

            – Parou.

            Todavia, outro som cortou o segundo silencioso.

            Aaaaaahhh lelek lek lek lek lek.

            Eles se entreolharam novamente, com um olhar simplesmente assustado. Que tipo de criatura poderia produzir tão odioso som? O diabo estava ali, então… Quem?

            Eles se aproximaram cautelosos, pouco a pouco, e uma estranha criatura se mostrou da claridade. Ela não os via, mas possuía uma bermuda maltrapilha, um óculos com lente amarela que deixaria qualquer demônio cego, e uma camisa preta com um cone verde estampado no peito.

            – Sério, o que é aquilo?

            – Não sei… Vamos fingir que não o vimos?

             Aaaaaahhh lelek lek lek lek lek – A criatura continuava

            – Acho que não vamos conseguir ignorar aquilo… – Disse Deus, pensante e pesaroso.

            – Bem, eu não moro aqui em cima – Riu o Canhoto.

            Deus projetou um olhar tão raivoso, mas tão raivoso que até o Diabo se afastaria. Não, pera.

            E ele realmente se afastou amedrontado.

            – Ok, ok, mas o que faremos? – Indagou então o pé de gancho.

            – Não sei…

            – Mas espera, já não está na hora dos julgamentos?

            – Não, não… O Gabriel sempre me acorda nesse horário.

            – E cadê ele?

            Deus olhou a sua volta, e nada. Só o diabo, e a criatura.

            – Ótimo… Ele não veio… – Deus começou a se irritar.

            O Diabo apenas observou.

            “Girando, girando, girando pro lado. Girando, girando, girando pro outro aaahhhhh lelek” – E antes que o som terminasse…

            – Então vamos acabar logo com isso – Disse o todo poderoso enquanto um estalo se fez, e a criatura apareceu diante deles.

            Assustada.

            Segurando algo em suas mãos que reproduzia aquele som terrível!

            As entidades se entreolharam, de novo.

            – Então era isso…

            Aaaahhhhhhhh lelek le… – TUUUUUUUUUMMMMMMMMMMM!!!!!!

            Um raio dantesco se materializou e simplesmente explodiu o aparelho demoníaco.

            – Poooooooooooooha véi!!! Que iço?! – Gritou a criatura sem entender o que acontecia!

            Deus se regozijou de alívio.

            Amém – Pensou.

            – Quem és tu?! – Perguntou com rigidez tamanha que cortou o mimimi do ser.

            – É… – Fitou a grande iluminação que pronunciava falas – Sou Uéslei.

            – Ah, Wesley você quer dizer, né? – Perguntou o Maligno

            – Não, Uéslei…

            – … – Diabo simplesmente inclinou a cabeça, tentando achar um raciocínio lógico sobre o porque desse nome.

            – Bem, Uéslei – Interrompeu Deus, já tentando finalizar o processo – Agora é o momento da verdade. Agora decidiremos se você vai para o céu, ou para o inferno. Você acha que deve ir para onde, e por que?

            – Caraaaaaaaaaaai véi!!! Eh sério isso?! Isso é tipo um julgamento?

            – É

            – Não, putz, não da nem pra acreditar, na moral.

            – Fala logo!

            – Eu, eu, eu acho que devia ir pro céu né véi. Porque tipo, eu respeito Deus p’a carai neh. É Deus em primeiro e dps a família neh.

            – Ta, gabriel, vê se tem algum registro dele no livro.

            Houve um período de silencio.

            – Gabriel?

            – Ele não…

            – Ah é! Então… – A poderosa entidade, olhou novamente o ser aparentemente humano em sua frente. – Estamos decididos, você vai pro inferno.

            – Oxi, mais porqe doutor? Uq qeu fis di erradu?

            As entidades se doeram por dentro.

            – Acho errado isso, você tem que dar uma chance a ele – Disse o Encruzilheiro – Você mal o deixou falar, e ele já disse que você sempre esteve em primeiro lugar!

            Deus ficou espantado com o Diabo. “Por que ele, logo ele, está recusando alguém no inferno?”… Pensou mais um pouco, e voltou:

            – Mas ele fala muito palavrão pra ser permitido no céu.

            – Todavia, o palavrão é apenas uma expressão e não retém maldade, é apenas a ignorância retida no que é errado.

            – Já lhe foi ensinado que é errado.

            – Mas não lhe foi mostrado as consequências! – Nesse momento, o Capiroto soltou um singelo sorriso.

            Foi então, que Deus refletiu… – Filho da puta!

            E estava feito, marcado, e apostado. Nenhum dos dois queria a criatura humanamente bestial, e lutariam até o fim para evitá-la. Uma briga que talvez mudasse o destino do mundo, do céu e inferno. Ninguém se atreveria a entrar no meio disto, ao menos não alguém consciente!

            – Eae galera, cheguei – Disse o anjo Gabriel, já tirando a mochila das costas– Desculpe o atraso, é que o lugar que você mandou eu enviar a ultima mensagem era muito longe… E no fim nem achei o lugar…

            Deus bufou. E percebeu que estava cansado de bufar. E bufou novamente.

            Ele pegou o envelope lacrado e olhou o destino: Acre.

            – Ué, não lembro de ter inventado esse lugar… Bem, depois eu resolvo isso. Rápido Gabriel, verifique o status dessa criatura no livro!

            E numa velocidade divinosa Gabriel tirou o livro de sua bolsa, e abriu na página requerida! Uéslei de Souza da Silva.

            – Bem, ele realmente cometeu coisas gravíssimas – Começou o anjo – Mas também viveu muito humildemente e não obteve oportunidades de ouvir a real palavra do senhor. Acho que poderíamos dar uma oportunidade a ele – Concluiu, satisfeito. Entretanto, ao olhar para Deus, sentiu que seria evaporado em segundos… – Oooou, ele realmente foi um criminoso muito maldoso, afinal não é normal alguém roubar um celular todo dia… – Então foi a vez do Tinhoso lançar um olhar tenebroso sobre o pobre anjo – … Espera ai!

            Gabriel pensou por um tempo enquanto os dois o encaravam raivosamente.

            – Senhor, você tem o endereço de onde aquele seu primo chato mora?

            -… Tenho, por quê?

            – Ótimo!

 

            …

 

            Mais tarde, Uéslei chegou a um lugar estranho, com grande e pesado portão de ouro. Ele forçou os olhos, usou o pouco conhecimento que tinha e leu: Valhalla.

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