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O bosque perigoso

Publicado: outubro 5, 2015 por slyfer052 em Contos
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– Tome cuidado ao andar pelo bosque Rebecca, ele é perigoso – Minha mãe sempre alertou sobre o lugar. Por toda minha vida achei que era exagero. Até hoje.

Os galhos das árvores estavam em sua maioria secos e meus passos faziam “crac, crac” ao pisar nas folhas de outono. O sol se punha mas as lâmpadas não iluminavam como ele. O vento batia espalhando as folhas e zunindo em meu ouvido. Puxei minha touca até as orelhas. Estou sozinha. O bosque ligava minha casa à escola. Andei até a metade do caminho onde parei e me iludi por entre as árvores procurando o som que ouvi. Um violão e algumas palmas em ritmo certo e totalmente coerente.

– Que bonito.

O som tomou o bosque e as folhas e árvores ganharam cores mais vivas. Era realmente outono¿ Passei por dois arbustos correndo e pulei um tronco – Achei! – Olhei por cima de uma moita e vi algo incrivel. Em volta de uma fogueira havia um cachorro de terno e gravata, um gato de camiseta xadrez, e uma sabiá tatuada. Atrás deles algumas folhas dançavam alegre e estranhamente. Notei então que as árvores também saboreavam a música dançando mesmo paradas – UAU!

Os animais me viram e o cachorro parou de tocar – … Quem é você?

– Sou a Rebecca. E vocês?

Eles se entreolharam e após balançarem positivamente a cabeça me permitiram sentar com eles. As folhas deram licença enquanto eu colocava meu bumbum junto ao chão de terra fofa. O gato branco esticou se e se prostrou por sobre os tenis verdes. Ligou o celular filmou todos nós. Fiquei com vergonha. O cachorro voltou a cantar e tocar, e o bosque apenas o acompanhou. Nunca vi nada parecido. A sabiá apenas tomava uma garrafa de algo que não cheirava tão bem.

– Nós somos o bosque. O que você faz por aqui?

Eu não entendi, mas balancei minha cabeça concordando – Estava só indo pra casa e ouvi você tocando. Como você faz as folhas dançarem? – Era dificil esconder meu sorriso.

– Eu já disse, somos o bosque.

Ele sorriu mas antes que eu falasse qualquer coisa o gato puxou me para dançar. Ele dançava engraçado, saltitando. A sabiá deu outro gole na bebida. As folhas riam da minha dança, nunca fui boa nisso. – Porque vocês estão festejando?

– Ora, porque sempre festejamos! – Disse o gato ao me passar por baixo de seus braços em uma pirueta. Eu ri.

Eles me contaram que sempre dançavam aquela hora no bosque todos os dias. E prometi voltar lá. Eu não via a hora de contar pra minha mãe então me despedi e voltei para casa correndo. Assim que cheguei levei uma bronca, ela falou que foi perigoso o que fiz, falar com estranhos e essas coisas.

No dia seguinte eu voltei no mesmo lugar – Ei senhor cachorro? Gato? Sabiá?! – Gritei gritei e gritei mas ninguém apareceu. Nenhuma festa nenhuma dança nenhuma música. Todos os dias passei pelo mesmo caminho, todo instante pensava naquele dia alegre. Minhas refeições não eram mais tão boas, as músicas perderam o ritmo, e as pessoas não eram tão legais quanto aqueles três.

Agora entendo o que minha mãe quis dizer sobre o bosque ser perigoso. Você pode se perder por lá…

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Mais que um assalto

Publicado: abril 21, 2014 por slyfer052 em Contos
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– boa tarde.

– Isso é um assalto!

– Ai meu Deus! Pode levar tudo senhor, calma. Fica tranquilo que eu já fui assaltada e eu sei bem como é. Aqui, meu celular, meu ipad, minha carteira, meu amor, meu carinho, minha atenção.

– Não, perai, eu só quero o que é de valor.

– NOOSSA! Sério que meu amor não tem relevância nenhuma pra você? Nossa cara, que insensível.

– Não moça, não foi isso que quis dizer. É que eu só preciso do seu dinheiro.

– Só isso é importante pra você? – Deu um tapa na cara do sujeito – Como você tem coragem de falar isso de mim? Só o dinheiro?

– Moça, mas isso é só um assalto!

– “Assalto” é o valor que estou pagando pra minha cabeleireira pra ficar linda! Isso aqui é uma ofensa, no mínimo. E de muito mau gosto.

– Você não está entendendo, não é uma brincadeira isso aqui.

– E você acha mesmo que alguém está brincando?

Joeskison pensou por muito tempo antes de responder isso e percebeu que teria que tomar uma atitude drástica, que provavelmente arruinaria e muito sua vida.

– Ok, jantar no “Cachoeira tropical” as 20:00 passo na sua casa pra te buscar.

– Ah, tudo bem. Aqui, minha carteira e minhas coisas, deixei junto um bilhete com meu endereço, tá?

– Tudo bem, te vejo amanhã então.

Beijaram-se e se despediram…

– Ai caramba! Esqueci! Espera moço você esqueceu de levar minha dignidade também! Moooçoooo!!!

Faísca

Publicado: dezembro 16, 2013 por slyfer052 em cronicas
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Algumas vezes, já me imaginei quebrando tudo que encontrava no caminho. Desejei.

Mas, no caminho? Talvez não. Em tudo! Tudo!

Quebrando, rasgando, jogando tudo, em tudo, ao todo.

Com uma pequena faísca que se acende e queima tudo, eu observaria de perto ansioso, curioso e vívido. Realizado?

Mas uma pequena faísca seria capaz de tanto?

Queria que sim.

Entretanto, não quero que queime tudo de uma vez.

Deve primeiro aquecer, lembrar do inferno temporal, da sede. Depois fazer tudo murchar, se contorcer em cinzas, apodrecer. Isso enquanto tudo vira pó e a fumaça é lançada para longe, deixando de existir.

Será que uma faísca é capaz de tanto?

Talvez deva desejar mais.

Eu mesmo

Publicado: outubro 7, 2013 por slyfer052 em Contos
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Da escuridão, fui trazido à luz.

Assim, de repente!

Já havia esperado por tanto tempo, que já havia perdido minha esperança. Mas enfim, ele me tirou de lá. Olhou sorrindo pra mim. Todos em minha volta gritavam eufóricos, como se eu fosse a melhor e mais bonita coisa jamais vista do mundo! Ele me colocou em seu colo, acolhendo me com carinho, me senti amado pela primeira vez…

Seria ele meu pai? Não, não era possível. – consenti – Eu era branquíssimo de reluzir o brilho em minha pele, e ele negro como carvão, careca e de olhos estáveis. Se bem que eu também era careca… Mas não, não era meu papai.

Ele foi andando comigo em seus braços por um corredor extenso e entregou nas mãos de outro homem mais velho, este parecia muito mais maduro e inteligente, mas não muito mais. Esse homem mais velho saiu do corredor e me levou a um lugar aberto e arejado, um lugar com muito mais gente! Eles olhavam pra mim felizes, o que me fazia se sentir feliz por eles, simplesmente.

Todavia, eles estavam meio malucos.

Eu devia realmente ser muito foda! Tudo pra eles! Tipo, tinha gente chorando… Sei lá!

Então, depois de um sinal esquisito o moço me passou de para outra pessoa, e foram me passando em sequência. De um pro outro, do outro pra algum, dele pra ele, do depois pro anterior.

As vezes brigavam entre si pra ver quem ficava comigo, era engraçado. Ri bastantinho. Não fazia ideia do que estava fazendo, mas parecia que estava certo. Eu era um ótimo trabalhador! Pera, era meu trabalho fazer o que fazia? não sei… Mas se for, é bem legal até. Será que vou conseguir comprar muita coisa com meu salário? Hm… Talvez um lugar melhor pra eu ficar, naquele meu ultimo era meio apertado e escuro demais.

Então, me colocaram num lugar retangular e gritaram como nunca. Tinha algumas redinhas para eu não ir muito longe… O que era esperto até, estava indo muito rápido as vezes e poderia até me perder! Entretanto, acho que fiz o meu melhor trabalho. Tinha gente gritanto mais que o normal, chegavam ao limite de um berro! Eles gritavam a mesma palavra por uns 15 segundos, ou mais, não sei. Gritavam “GOOOOOOOOOOOOOL!”.

Não encontrei meu pai, não recebi meu salário, mas descobri que bastava apenas seu eu para fazer um povo feliz.

Gritava

Publicado: setembro 17, 2013 por slyfer052 em Contos, cronicas
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Suas pernas tremiam enquanto apoiava suas mãos no armário atrás da mesma, tentava subir, fugir. Sua respiração falhava num ritmo acelerado, buscava o ar mas nada alcançava. Só conseguia fazer uma coisa.

Gritar.

A criatura, todavia apenas a observava.

Parada, estagnada numa ânsia nauseante.

Seus gritos agudos acordaram todos de casa, restava saber se chegariam a tempo de salva-la.

Outro grito de desespero foi lançado ao ar.

O monstro deu um passo a frente.

A jovem subiu o armário, com nojo, quase escorregando por suas mãos… Suando frio. Tentando se ajeitar desesperadamente para não cair e conseguir subir. O ser infernal a seguiu… Lentamente.

Em breve, Aline deixaria de ser a garota alegre que todos conheciam… Deixaria de ser.

E quando suas lágrimas começaram a cair…

Ouviu-se um clack.

Seu pai matou a barata que subia o armário.

Tudo estava serenamente calmo no gigante e principal palácio do Monte Olimpo. Os céus azuis sobre as nuvens, o sol a brilhar na doce manhã… Essa era linda paisagem que Hera observava enquanto ficava sentada na varanda do palácio, lixando suas unhas. Todavia, aquela não era uma manhã comum. Tudo bem, era. Mas não por muito tempo. Hera ouviu a gigante porta se abrindo, seguido de passos pesados e familiares no qual fizeram ela já imaginar o que vinha pela frente…

– CADE MINHA COMIDA, MULHER?!?! – Gritou Zeus entrando no recinto, com todos os seus músculos e sua áspera barba branca lhe davam aquele ar onipotente.

– Êpa! Mulher nada, sou uma Deusa, ok? – Se prostrou se na situação, enquanto fazia um jogo de movimentos com a cabeça e as mãos. – E antes de mais nada, BOM DIA pra você também! – Voltou a lixas suas unhas.

Ele olhou sério pra ela, fechou os punhos, respirou fundo… E bufou. Ele odiava esse jeito ranzinza dela, sabia que estava errado mas ela poderia ser mais compreensiva, havia sido um dia cansativo. Ao descer a Grécia, milhares de filósofos começaram a discutir de ele existia ou não, e começaram a pedir provas e feitos e nossa! “Foi um saco”.

Todavia, Hera não era compreensiva, e ele não tinha outra opção a não ser aceitar os fatos.

– Bom dia, cadê minha comida?

– Ué, deve estar na cozinha… BERENICEEEE!!! Vem servir esse infeliz! – Esbravejou Hera.

– Infeliz? Como se atreve a falar assim comigo Hera?

Ela o encarou, séria. Como quem precisava de pouco mais para iniciar uma briga.

– Me chamou senhora? – Apareceu Berenice por trás da porta. Mulher simples e já de certa idade que havia sido contratada para trabalhar no Olimpo, a pouco tempo através de uma agencia de emprego chamada de “Divina”. Agencia meio simples, mas muito competente. Inclusive, consegui esse meu trabalho como narrador de histórias lá, recomendo.

– Chamei, pega comida pra esse estrupício, por favor – Sorriu.

– O que?

– Pega comida pro seu patrão.

– O que? – Ta, o problema era que Berenice além de ser alguém muito humilde e com poucos modos, ela tinha um pequeno problema de semi-grande-surdez proveniente de uma festa do vinho. Ótima festa, lembro-me que apareceu um primo de Zeus que conseguia transformar água em vinho… Esse dia foi massa…

Mas isso é história pra outro conto, na verdade, nem sei por que estou contando tanto sobre Berenice… Continuando.

-… – Hera a encarou por um minuto… Ajeitou seus cabelos louros – Berenice…

– Pois não?…

– Pegue o prato de comida para seu patrão… – Disse calmamente. Já pensando em como demiti-la no fim do expediente.

– Ah! É pra já – Sorriu a senhorinha com os poucos dentes que tinha.

A mulher partiu, e os dois Deuses ficaram sem trocar um olhar por minutos. Fazendo uma pequena pirraça entre si. Mas isso, sinceramente, tanto faz. Pois iniciarei agora, a verdadeira e emocionante história de Ares, Deus da guerra. Que teve batalhas vindouras contra gigantes, mortais e muitos outros deuses! Pode ao ter ganhado todas as batalhas, mas venceu muitas delas! E naquele momento, era ele quem entrava no grande palácio de Zeus. Com suas vestes de batalha e espada presa à cintura. Músculos volumosos e um lindo elmo de guerra em suas mãos. Ele era um cara simpático, de bom coração, trabalhador, responsável… E que a cima de tudo, adorava seus pais, Zeus e Hera.

– EAEEEEEEEE Família! – Deu um belo sorriso enquanto andava em direção aos pais, atravessando aquele enorme salão d’onde estavam.

Hera e Zeus se entreolharam, e tiveram um curto diálogo apenas com o olhar: “Ta vendo, é seu filho”, “Eu? Não foi eu que criei isso não…”, “Não? Vai dizer agora que eu também saio por ai te traindo, é?”, “Não comece com esse seu ciúmes, eu nunca te trai Hera”, “Você pensa que me engana… Não é, safado?”.

– Então pai, tenho um papo sério pra falar contigo. Lembra daquela carroça que você me emprestou?

Zeus teve uma pequena desaceleração de seu coração naquele momento, piscou algumas vezes, e tentou manter a consciência.

– Minha carroça novinha, cromada, com airbag, direção hidráulica, ar-condicionado e frigobar?

– Essa mesma!… Eu bati – Disse com desdém.

– O que? – Zeus teve seu mundo em câmera lenta. Girando.

– Mas fica sussa, o alto falante ficou intacto!

E de tanto “girar e girar” em sua mente, Zeus caiu, semi-desmaiado.

– Ah, mais essa agora… O Berenice! Vem ajudar meu marido aqui! – Gritou Hera, ainda lixando suas unhas, que deviam ser infinitas pelo jeito.

– Chamou Senhora?

– Vem aqui ajudar meu marido!

– O que?

-… Esquece Berenice… Esquece…

– Mas fica tranquilo véio, depois eu te pago.

E Zeus, repentinamente teve seus olhos embranquecidos totalmente por uma estranha luz divina.

– Ta beleza então, to vazando – Disse o filho que tentou sair de fininho. Mas foi perseguido por vários raios que foram disparados em seguida.

TA, TA, TA!!! – o som ecoava pelas paredes límpidas do palácio.

– Volta aqui! Ainda não terminamos! – Gritou o Deus dos trovões, que saiu enraivecido atrás do filho.

“Infantil e irresponsável igual ao pai…”, pensou Hera.

Tudo bem, talvez eles não se dêem tão bem assim, mas ao menos, Ares ainda era uma cara legal com as pessoas, deuses ou mortais, e convenhamos super romântico.

Pouco depois, Ares foi para uma taverna ali perto, local simples mas de bom vinho e ótimas mulheres. E uma dessas, com corpo esbelto e curvas completas passou ao lado de nosso herói. Ele a olhou de cima a baixo, e segurou a mão delicada da moçoila. Tirou seu óculos de lente amarela, e disse:

– Gata, me chama de Deus grego que eu te levo pro Olimpo, sua linda!

– Putz… – Ela puxou a mão, e se afastou enojada.

Após aquele singelo fora, ele senta ao balcão.

– Me vê uma Itaipava!

– É… Aqui só temos vinho, senhor…

– ah, claro, pode ser…

Sabe… Talvez ele não seja o mais romântico e pareça mais um alcoólatra nesse momento, entretanto, existiu um momento, naquele mesmo recinto inclusive, em que Ares conheceu seu grande amor. Foi um dia qualquer, como qualquer outro… Aquele amor que vem de um lugar inexplicável e toma conta de todo nosso existir. Ela entrou na taverna suavemente, com seus véus sendo balançados pelo vento. Ele a olhou e sentiu seus batimentos aumentarem arduamente. Seus olhos, seu olhar, seu corpo, além de perfeita ela tinha um semblante único! Ela passou ao lado de Ares, e o mesmo não pôde perder a oportunidade.

E por uma coincidência do destino, seus olhos se cruzaram.

– Nossa, jamais vi mulher tão bela quanto você – Ares segurou suas mãos delicadas.

– E eu, jamais vi homem tão forte quanto você – Ela admirava os músculos volumosos do Deus.

– Qual é o nome da mulher o qual roubou meu coração?

– Afrodite… E o seu?

– Ares, o deus da guerra! – Fez uma ceninha básica se vangloriando. – E sinceramente Afrodite, acho que nós temos algo especial. Meu coração nunca ficou tão bolado por alguém.

– Eu também sinto isso…

E sentiam, realmente sentiam!

– Eu… Te amo! – Declarou nosso amável e bondoso Deus.

– Também lhe amo… – Ela caiu aos seus braços.

– Então é isso! Vamos nos casar?

– Ain, querer eu até queria… Mas, eu já sou casada, com Hefesto! – Ela diz com pesar, enquanto Ares a coloca em pé.

E eles se encaram por segundos, se perguntando se realmente pertenciam um ao outro, e até onde iria esse amor.

– Vamos nos encontras escondidos… Ele jamais desconfiará.

– Isso, isso! Vamos sim! – Os olhos dela brilhavam de excitação. – Como que está o seu perfil no face?

– Ares – Deu uma sensualizada no olhar – O Deus da guerra!

– Vou te add, gato – Ela piscou.

E assim Ares conheceu o grande amor da sua vida… Obrigado pela atenção, tenham um ótimo fim de semana.

O que? O que aconteceu com eles?

Ahhh, isso é pra semana que vem. Boa parte dos escritores aqui da agencia estão de férias, portanto, vamos concluir essa história na próxima semana.

Acho.

Mas fiquem tranquilos que assim que me passarem roteiro dessa fantástica e verídica estória, eu volto a narrá-la a vocês.

Doces gemidos

Publicado: março 24, 2013 por slyfer052 em Contos
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Ela gemia.

Um gemido leve, que ecoava suavemente…

Imaginava seu corpo outrora tão delicado, e agora tão esfomeado. Ela vinha em minha direção. Lentamente. Com um joguete falso de pés, tentando me excitar de certa forma, e conseguia.

Ahhh… Aqueles doces sussurros, eles iam direto aos meus ouvidos, depois para o cérebro. D’onde me eram tomados por uma estranha sensação. É difícil de explicar. Era, tentador. Simplesmente.

Segurei firme.

E ao chegar à luz, pude vê-la pela primeira vez. Com vestes rasgadas mostrando parte de sua coxa, seu rosto pútrido de lábios carnudos, seu castanho cabelo sujo de lama e sua pele morena avermelhada.

Seus sussurros tornaram-se urros, e ela correu em minha direção com os braços erguidos. Berrava. Com sua garganta desgastada, pelo tempo, pelo clima, pela vida, pela pós-vida.

Ahhh… Aquela sensação… De poder simplesmente descontar tudo nessa vadia.

Tudo. Pela Julia ter me abandonado, pelo Matheus ter tentado me matar, pelo Marcos ter saído do refúgio aquela noite, pela Marcela ter me deixado aqui, e vários outros filhos da puta. Minha raiva iria embora. Sentiria bem comigo mesmo. Aliviado.

Estiquei meu braço, mirando.

Entretanto, ao mesmo tempo… Minha vida estava em risco, e isso deveria me excitar, não? Afinal, com o instinto de sobrevivência a flor da pele eu deveria… Estar eufórico?

Atirei.

E ela caiu.

Meu coração relaxou, vagamente.

E outros sussurros foram ouvidos…

Aqueles doces sussurros. – venham até mim. Por favor, me façam parar com essa angustia.

Tinham tantos.

Depois de tudo que passei nessa merda de vida, a única coisa que podia lembrar era o ódio pelas pessoas. Não conseguia pensar em outra coisa.

Atirei, atirei, atirei, e atirei.

Os miolos voaram para todos os lados, mas o terreno já estava sujo o suficiente. Nada mudou, eram apenas mais sujeiras no planeta imundo.

Cada tiro era pensado e planejado à uma pessoa. Por ser idiota, por ser corajosa, por ser teimoso, por terem me abandonado.

As balas acabaram e me restou apenas uma barra de ferro que arranquei do portão.

Cada ataque, cada pancada, eu executei com o mais profundo ódio e raiva. Aquela vontade de viver… Que foi se perdendo pouco a pouco.

Por que chorava?

Relutava comigo mesmo.

Por que isso tinha que acontecer?

Eles eram tantos…

Tanto sangue.

Estava cansado.

Éramos tantos…

Era tanta… Morte (?)…