Posts com Tag ‘cronicas’

O meu dia

Publicado: outubro 10, 2015 por slyfer052 em cronicas
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– Se vocês ligarem pra mim mais uma vez eu processo todos vocês! Tá me ouvindo?! – Claro que estou, senhor Luiz.

O meu dia é o senhor Luiz. Ele não sabe sobre cobrança, sobre pagamentos ou qualquer coisa do meu emprego.Também não sabe sobre o contrato que assinou. Ou até da divida de 5 mil reais que ele fez com o banco. Ele não sabe de nada.

– Não me lembro disso, não – Foi o que sua voz rouca e arrastada disse a primeira vez.

O meu dia é o senhor Luiz. Ele é um alcoólatra após as 18, xinga o juiz do futebol, e bate na esposa e os filhos. Ela quer o divórcio mas não tem para onde ir. Seus filhos choram todos os dias. Para ele não tem nada de errado nisso, afinal o homem é que manda na casa. E o que ele tiver vontade de fazer, ele o fará.

– Você não tem interesse em quitar a dívida que fez?

O meu dia é o senhor Luiz. Ele nunca serviu o exército ou teve qualquer treinamento, mas sabe como sair na mão com quem quer que seja. Ele não se deixa ser humilhado fácil. Sua mão cheia de graxa acertaria meu rosto antes deu pensar em desligar o telefone.

– Se você me ligar mais uma vez, só mais uma seu desgraçado. Eu te mato!

O meu dia é o senhor Luiz. Ele não faz ideia que existem outros vários Senhores Luiz por todo meu dia. E que meu corpo cheio de cicatrizes já não doem mais como antes. A morfina eu bebo todo dia de manhã – Um expresso, por favor – O senhor Luiz é um filho da puta.

O meu dia é o senhor Luiz.

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Faísca

Publicado: dezembro 16, 2013 por slyfer052 em cronicas
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Algumas vezes, já me imaginei quebrando tudo que encontrava no caminho. Desejei.

Mas, no caminho? Talvez não. Em tudo! Tudo!

Quebrando, rasgando, jogando tudo, em tudo, ao todo.

Com uma pequena faísca que se acende e queima tudo, eu observaria de perto ansioso, curioso e vívido. Realizado?

Mas uma pequena faísca seria capaz de tanto?

Queria que sim.

Entretanto, não quero que queime tudo de uma vez.

Deve primeiro aquecer, lembrar do inferno temporal, da sede. Depois fazer tudo murchar, se contorcer em cinzas, apodrecer. Isso enquanto tudo vira pó e a fumaça é lançada para longe, deixando de existir.

Será que uma faísca é capaz de tanto?

Talvez deva desejar mais.

Inspiração

Publicado: julho 17, 2013 por slyfer052 em cronicas
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Hoje acordei inspirado, mas não sabia que tipo de inspiração era.

Eu iria ficar horas em puro prazer, desenhando? Tocando? Compondo? Escrevendo? Indagava me que tipo de momento eu teria… Que tipo de magia e emoção sentiria…

Afinal, qual inspiração seria?

– A do trabalho! – Respondeu minha chefe.

Acorda, rápido! Vai perder a hora! Se troca, isso não, outra! Puta que pariu! Perdeu o trem, corre, depressa, anda! Não para! E vai fazer o que lá? Mas vai falar isso mesmo? Ué, qual livro? Será que da tempo? Vou indo! Corre corre corre! Esquece, volta! Mas não era isso? Como assim? Ta, ok, vou fazer!
Não, não acredito nisso, Perdeu? e agora, tem jeito? Tá, eu faço, não entendi, ok, sim, sim, não não é assim, claro, pode deixar

Luzes piscando, na noite vagando, brilhando em desfoque
num eterno enfoque da noite sem fim

Rápido rápido!

pisca, brilha, entorta, endoida
Sempre na avenida sem  fim

tem fim?

Tem sim, fim.

. . .

Acorda, rápido! Vai perder a hora! […]

“São Paulo, a cidade que nunca para.”

Acabe com isso

Publicado: março 3, 2013 por slyfer052 em poemas
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Dou lhe as balas. Atire, vamos! Acabe com isso.

Eu suplico

De uma dor a um buraco. Minutos.

Escasso.

Sede de algo melhor.

Pior.

Dos olhos fúnebres a uma estranha vermelhidão.

De um ardor intenso, que me força a tentação.

Dou lhe as balas. Atire, vamos! Acabe com isso.

Que martírio, que ridículo…

Brisas e brisas, brisas

Publicado: fevereiro 25, 2013 por slyfer052 em cronicas
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As luzes distantes perdiam a nitidez, e voltavam quase desaparecendo pela distância. Pelo ar? O ar úmido não soprava. Parado, perdido. Fresco.

O céu num preto eterno, se perdia numa estranha imensidão. Enquanto isso, algumas bitucas de cigarro estacionavam ao chão rachado da calçada. Mudando a tonalidade do ar que subia…

Meus pés sentiam as pequenas pedras do chão, não doíam. Ái!

Os cachorros latiam ao ver outro vira-lata passar pela rua. Que guerra…

E o horizonte continuava, na  escuridão eterna…

Aquilo

Publicado: fevereiro 12, 2013 por slyfer052 em Contos
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Os dois juntos tiveram grandes momentos, mas não quando pequenos.

– …

– …

O início se fez na adolescência, quando a vida começa a ter mais vida! Quando as idéias e vontades correm a mil.

– Quer namorar comigo?

– Depende, qual sua operadora?

Entretanto, apesar da relação boba, os laços se efetivaram e tudo aquilo se tornou algo mais forte.

– Lírios? Porque não me comprou rosas?

– Você só reclama também né…?

Inclusive, forte o suficiente para lhes acorrentar.

– Lua de mel no Nordeste?

– Nãaaaao reclamaaáa…!

E no fim, uma família tornar.

– Cadê a Julia?

– Sei lá, não tava com você?!

O tempo porém, é complicado, inexplicável, irônico, tonto. Tão tonto, mas tão tonto que algumas coisas tornam-se tão normais que simplesmente se perdem…

– Você lembra de quando nos conhecemos?

– … Nossa, eu não me lembro.

– Pois é, eu também não consigo me lembrar…

– …

– …

– … Mas você sabe que ainda te odeio, né?

– Sei, eu te amo também.

… Se perdem, mas aquele sentimento nunca se foi.