Posts com Tag ‘Despedida’

Noite

Publicado: outubro 30, 2013 por slyfer052 em Contos
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O som estava alto, as luzes piscavam incessantemente, e eu e ele já estávamos “altos”.

– Vamos! – Puxei ele pelos braços – fechei meus olhos e deixei meu corpo seguir o ritmo da música. Tuts tuts tuts… Ele estava atrás de mim dançando.

E depois de um pouco, eu me virei pra ele e fomos até o canto da pista. Estava totalmente escuro, ele me acariciava de cima a baixo, das minhas pernas até minhas costas, de meu pescoço até os lábios. Ele deu uma mordida de leve.

– Ai… – murmurei entre o som alto da balada.

Ele sorriu.

Meu coração saltava junto de meus hormônios.

Tuts tuts tuts.

Os dedos que percorriam minha cintura eram gelados, mas a alma fervente! Aquilo me deixava excitada. A música alta derretia meu cérebro, enquanto me perdia em luxúria. Decidimos terminar em outro lugar, óbvio que iriamos transar.

Enquanto saia de lá, vi a Luana com outra menina. Que vadia, rs.

Entre tapinhas e amassos nós saímos daquele inferninho, e fomos para outro. Um com o letreiro caído e que piscava apenas o M, os pisos de azulejo antigo e uns degraus baixos que me fizeram tropeçar na entrada.

– Cuidado – Ele segurou em minha cintura enquanto eu ria.

Paramos no balcão e ele falou algo com um cara, não prestei atenção. Subimos por um elevador velho e mofado. Ele rangia. Os dentes.

Abrimos a porta e estávamos num quarto só pra nós dois, com paredes vermelhas, e um lençol amassado. Me joguei na cama e observei ele apagar a luz e acender o abajur. Ouvi seus passos vindos devagar para cama. Ele me queria muito, senti isso desde a primeira dose paga. Ele tirou minha camiseta justa e fitou os meus olhos. Sua mão que subia parou em meu peito, massageando-os lentamente. Ainda ouvia de leve o som da balada ali perto… Tuts tuts tuts… Sua boca ia me beijando em toda a extensão do pescoço, até chegar em meus lábios onde deu um beijo rasgado, e mordeu forte em meu pescoço.

“Aahhh”

Uma sensação agônica me ocorreu, arrepiando minha espinha em puro prazer. E minha vida se foi lentamente, entre luxúria e sede.

Tuts tuts tuts…

Minha visão se enturveceu e minhas forças foram tiradas. Meu corpo não respondia a mais nada, nem minha mente. Tudo ficava mais frio. Eu tremia.

Tundun Tundun tun…

Estava seca, de corpo e alma.

Ele me admirou por mais segundos… Alisando meu corpo…

E após uma única gota, eu renasci.

Bebia do pulso dele, sangue vivo, sangue frio junto de meu sangue, quente, caloroso, sangue.

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Doces gemidos

Publicado: março 24, 2013 por slyfer052 em Contos
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Ela gemia.

Um gemido leve, que ecoava suavemente…

Imaginava seu corpo outrora tão delicado, e agora tão esfomeado. Ela vinha em minha direção. Lentamente. Com um joguete falso de pés, tentando me excitar de certa forma, e conseguia.

Ahhh… Aqueles doces sussurros, eles iam direto aos meus ouvidos, depois para o cérebro. D’onde me eram tomados por uma estranha sensação. É difícil de explicar. Era, tentador. Simplesmente.

Segurei firme.

E ao chegar à luz, pude vê-la pela primeira vez. Com vestes rasgadas mostrando parte de sua coxa, seu rosto pútrido de lábios carnudos, seu castanho cabelo sujo de lama e sua pele morena avermelhada.

Seus sussurros tornaram-se urros, e ela correu em minha direção com os braços erguidos. Berrava. Com sua garganta desgastada, pelo tempo, pelo clima, pela vida, pela pós-vida.

Ahhh… Aquela sensação… De poder simplesmente descontar tudo nessa vadia.

Tudo. Pela Julia ter me abandonado, pelo Matheus ter tentado me matar, pelo Marcos ter saído do refúgio aquela noite, pela Marcela ter me deixado aqui, e vários outros filhos da puta. Minha raiva iria embora. Sentiria bem comigo mesmo. Aliviado.

Estiquei meu braço, mirando.

Entretanto, ao mesmo tempo… Minha vida estava em risco, e isso deveria me excitar, não? Afinal, com o instinto de sobrevivência a flor da pele eu deveria… Estar eufórico?

Atirei.

E ela caiu.

Meu coração relaxou, vagamente.

E outros sussurros foram ouvidos…

Aqueles doces sussurros. – venham até mim. Por favor, me façam parar com essa angustia.

Tinham tantos.

Depois de tudo que passei nessa merda de vida, a única coisa que podia lembrar era o ódio pelas pessoas. Não conseguia pensar em outra coisa.

Atirei, atirei, atirei, e atirei.

Os miolos voaram para todos os lados, mas o terreno já estava sujo o suficiente. Nada mudou, eram apenas mais sujeiras no planeta imundo.

Cada tiro era pensado e planejado à uma pessoa. Por ser idiota, por ser corajosa, por ser teimoso, por terem me abandonado.

As balas acabaram e me restou apenas uma barra de ferro que arranquei do portão.

Cada ataque, cada pancada, eu executei com o mais profundo ódio e raiva. Aquela vontade de viver… Que foi se perdendo pouco a pouco.

Por que chorava?

Relutava comigo mesmo.

Por que isso tinha que acontecer?

Eles eram tantos…

Tanto sangue.

Estava cansado.

Éramos tantos…

Era tanta… Morte (?)…

Nossa existencia

Publicado: agosto 15, 2012 por slyfer052 em Contos
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– Vamos?  -Ela perguntava com aquele sorriso bobo e os olhos de maquiagem manchada.

Estávamos longe de todos, longe de tudo. A oferta mexia comigo e com meu ser desesperado e curioso. Ao mesmo tempo, era simples demais e eu queria algo mais! Mais complexo! Maior! Melhor!

Ela dizia que seria o ideal para nós dois.

Estava perplexo com tudo, confuso, e perdido… Mas não sei porque, tranquilo. Talvez por estar com ela e a mesma me acalmar só em estar diante de mim, ou talvez por estar chegando o momento da decisão. Entretanto, a proposta ainda me indagava, me segurava, trancava a alma.

Eu queria, mas temia…  Seria algo surreal!

Perfeito.

Talvez fosse a melhor coisa da minha vida, da nossa. E Talvez – Me deixei ir – não devesse perder essa chance…

– Vamos? – Ela perguntou novamente rindo de minha quietude…

Não pronunciei uma palavra, apenas sorri, ela compreendeu de imediato e nos beijamos. Nenhum sentimento ou preocupação se formou em minha mente. Estava em paz comigo e com o mundo.

Então, de mãos entrelaçadas demos um passo, o passo mais lento de toda minha vida.

Caímos, e nossa existência se foi para sempre.

Ultima carta

Publicado: julho 8, 2011 por slyfer052 em Contos
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                Explosões eram ouvidas.

                “Hoje me desfaço dos meus sonhos, não por ter perdido a vontade de alcançá-los, mas sim, por perceber que depois de hoje, eles não serão mais alcançáveis. Não é que seja um pessimista, mas há momentos que devemos perceber o que ainda é possível, e o que não é. Também, me despeço de todos meus parentes, e amigos, mas quero que eles saibam que apesar de minha vida não ter durado muito, eles foram importantes no decorrer dela.”- Não conseguia me conter, e confesso, chorei – “Quero também lembrar, que luto hoje por essas mesmas pessoas que um dia, me fizeram alguém feliz…”

                – Vamos… – Disse o soldado a frente – Está na hora…

                “Sei que não voltarei, mas deixo o meu sincero adeus diante de todos vocês”

                – Vamos – concordei enquanto enxugava as lagrimas.

                Levantei-me, peguei a arma que há tão pouco tempo a tinha visto pela primeira vez. E com um coração desesperado e sem esperança, caminhei em direção a morte.