Posts com Tag ‘em algum lugar’

            A claridade se espalhava naquele ambiente inteiramente aberto. Sem objeto algum, sem nada material. Apenas a claridade, a luz, a paz.

            Um ótimo lugar pra se estar, um ótimo lugar para se relaxar, para se pensar na vida, nas crianças, no mundo…

            Tranquilo.

            Tchutchatchatchutchutcha

            Um som invadiu o local. O nada se desfez, alguns carros na terra bateram, e alguns anjos morreram naquele momento.

            – O que diabos, é isso?! – Indagou Deus ainda com sono.

            Puff! O diabo apareceu.

            – Chamou?

            – Não, não! De onde está vindo essa música?!

            – Que música? – Indagou o Coisa ruim enquanto coçava o chifre.

            – Fica quieto e presta atenção!

            Eles se aquietaram, e olharam ao redor lentamente, esperando algo estranho ou surreal. E então ouviram bem distante…

            Tchutchatchatchutchutcha…

            Mas ouviram.

            – O que é isso?! – Perguntou o Esquerdo, embasbacado com o som perturbador.

            – É o que estava me perguntando! – Ainda embasbacado.

            -… Talvez seja… Obra dos seus filhos…

            O som continuava e repetia infinitamente.

            – Han? Mas Jesus nunca faria uma coisa dessas! – Resmungou o pai protetor.

            – Não! Os outros filhos.

            – Ahhhhh, entendi. Será?

            E por um momento, o som parou.                   

            Eles se entreolharam rapidamente.

            – Parou.

            Todavia, outro som cortou o segundo silencioso.

            Aaaaaahhh lelek lek lek lek lek.

            Eles se entreolharam novamente, com um olhar simplesmente assustado. Que tipo de criatura poderia produzir tão odioso som? O diabo estava ali, então… Quem?

            Eles se aproximaram cautelosos, pouco a pouco, e uma estranha criatura se mostrou da claridade. Ela não os via, mas possuía uma bermuda maltrapilha, um óculos com lente amarela que deixaria qualquer demônio cego, e uma camisa preta com um cone verde estampado no peito.

            – Sério, o que é aquilo?

            – Não sei… Vamos fingir que não o vimos?

             Aaaaaahhh lelek lek lek lek lek – A criatura continuava

            – Acho que não vamos conseguir ignorar aquilo… – Disse Deus, pensante e pesaroso.

            – Bem, eu não moro aqui em cima – Riu o Canhoto.

            Deus projetou um olhar tão raivoso, mas tão raivoso que até o Diabo se afastaria. Não, pera.

            E ele realmente se afastou amedrontado.

            – Ok, ok, mas o que faremos? – Indagou então o pé de gancho.

            – Não sei…

            – Mas espera, já não está na hora dos julgamentos?

            – Não, não… O Gabriel sempre me acorda nesse horário.

            – E cadê ele?

            Deus olhou a sua volta, e nada. Só o diabo, e a criatura.

            – Ótimo… Ele não veio… – Deus começou a se irritar.

            O Diabo apenas observou.

            “Girando, girando, girando pro lado. Girando, girando, girando pro outro aaahhhhh lelek” – E antes que o som terminasse…

            – Então vamos acabar logo com isso – Disse o todo poderoso enquanto um estalo se fez, e a criatura apareceu diante deles.

            Assustada.

            Segurando algo em suas mãos que reproduzia aquele som terrível!

            As entidades se entreolharam, de novo.

            – Então era isso…

            Aaaahhhhhhhh lelek le… – TUUUUUUUUUMMMMMMMMMMM!!!!!!

            Um raio dantesco se materializou e simplesmente explodiu o aparelho demoníaco.

            – Poooooooooooooha véi!!! Que iço?! – Gritou a criatura sem entender o que acontecia!

            Deus se regozijou de alívio.

            Amém – Pensou.

            – Quem és tu?! – Perguntou com rigidez tamanha que cortou o mimimi do ser.

            – É… – Fitou a grande iluminação que pronunciava falas – Sou Uéslei.

            – Ah, Wesley você quer dizer, né? – Perguntou o Maligno

            – Não, Uéslei…

            – … – Diabo simplesmente inclinou a cabeça, tentando achar um raciocínio lógico sobre o porque desse nome.

            – Bem, Uéslei – Interrompeu Deus, já tentando finalizar o processo – Agora é o momento da verdade. Agora decidiremos se você vai para o céu, ou para o inferno. Você acha que deve ir para onde, e por que?

            – Caraaaaaaaaaaai véi!!! Eh sério isso?! Isso é tipo um julgamento?

            – É

            – Não, putz, não da nem pra acreditar, na moral.

            – Fala logo!

            – Eu, eu, eu acho que devia ir pro céu né véi. Porque tipo, eu respeito Deus p’a carai neh. É Deus em primeiro e dps a família neh.

            – Ta, gabriel, vê se tem algum registro dele no livro.

            Houve um período de silencio.

            – Gabriel?

            – Ele não…

            – Ah é! Então… – A poderosa entidade, olhou novamente o ser aparentemente humano em sua frente. – Estamos decididos, você vai pro inferno.

            – Oxi, mais porqe doutor? Uq qeu fis di erradu?

            As entidades se doeram por dentro.

            – Acho errado isso, você tem que dar uma chance a ele – Disse o Encruzilheiro – Você mal o deixou falar, e ele já disse que você sempre esteve em primeiro lugar!

            Deus ficou espantado com o Diabo. “Por que ele, logo ele, está recusando alguém no inferno?”… Pensou mais um pouco, e voltou:

            – Mas ele fala muito palavrão pra ser permitido no céu.

            – Todavia, o palavrão é apenas uma expressão e não retém maldade, é apenas a ignorância retida no que é errado.

            – Já lhe foi ensinado que é errado.

            – Mas não lhe foi mostrado as consequências! – Nesse momento, o Capiroto soltou um singelo sorriso.

            Foi então, que Deus refletiu… – Filho da puta!

            E estava feito, marcado, e apostado. Nenhum dos dois queria a criatura humanamente bestial, e lutariam até o fim para evitá-la. Uma briga que talvez mudasse o destino do mundo, do céu e inferno. Ninguém se atreveria a entrar no meio disto, ao menos não alguém consciente!

            – Eae galera, cheguei – Disse o anjo Gabriel, já tirando a mochila das costas– Desculpe o atraso, é que o lugar que você mandou eu enviar a ultima mensagem era muito longe… E no fim nem achei o lugar…

            Deus bufou. E percebeu que estava cansado de bufar. E bufou novamente.

            Ele pegou o envelope lacrado e olhou o destino: Acre.

            – Ué, não lembro de ter inventado esse lugar… Bem, depois eu resolvo isso. Rápido Gabriel, verifique o status dessa criatura no livro!

            E numa velocidade divinosa Gabriel tirou o livro de sua bolsa, e abriu na página requerida! Uéslei de Souza da Silva.

            – Bem, ele realmente cometeu coisas gravíssimas – Começou o anjo – Mas também viveu muito humildemente e não obteve oportunidades de ouvir a real palavra do senhor. Acho que poderíamos dar uma oportunidade a ele – Concluiu, satisfeito. Entretanto, ao olhar para Deus, sentiu que seria evaporado em segundos… – Oooou, ele realmente foi um criminoso muito maldoso, afinal não é normal alguém roubar um celular todo dia… – Então foi a vez do Tinhoso lançar um olhar tenebroso sobre o pobre anjo – … Espera ai!

            Gabriel pensou por um tempo enquanto os dois o encaravam raivosamente.

            – Senhor, você tem o endereço de onde aquele seu primo chato mora?

            -… Tenho, por quê?

            – Ótimo!

 

            …

 

            Mais tarde, Uéslei chegou a um lugar estranho, com grande e pesado portão de ouro. Ele forçou os olhos, usou o pouco conhecimento que tinha e leu: Valhalla.

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A janela

Publicado: julho 20, 2012 por slyfer052 em Contos
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O teto mudo me fitava. E eu a ele. Ficamos nos encarando por tempos desconhecidos enquanto simplesmente ouvia o gotejar da caixa d’água quebrada.

Levantei de relance com uma brisa gélida que passou pela janela. Diante de meus olhos apenas quarto revirado, desde roupas no chão aos cadernos e papéis espalhados. “Isso” é o meu quarto.

A janela balançou com o vento, olhei a ela e vi apenas a casa escurecida pela noite do outro lado da rua. Sem motivo algum, debrucei sobre ela. As casas já caladas estavam em frente, mas estranhamente o que me chamou atenção foram as luzes dos postes, haviam colocado uma luz de cor alaranjada em todos. Não sei se aquilo dava um ar novo ao cenário, ou se apenas dava um bom contraste com a lua sobre uma pequena neblina distante. Enquanto isso, via o ar quente sair de minha boca e desaparecer. Silencio? O silencio da cidade, carros e cachorros que uivavam a noite eram ouvidos ao fundo, mas ainda era silencioso.

Prazeroso.

Observando, longe, pensando, vagando.

Fuga

Publicado: julho 19, 2012 por slyfer052 em Contos
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-Cuidado! Os aliens estão atrás de você! – Gritava meu primo, Leonardo.

Pulei para trás do sofá, me protegendo dos tiros.

– Essa foi por pouco…

– Sorte a sua que eu vi os aliens e te avisei. Você me deve uma.

– É.

Os aliens se aproximavam cada vez mais, estavam quase na sala.

– Vamos correndo para cozinha, lá é mais fácil de nos protegermos! Vai você na frente, eu te dou cobertura! – Disse empurrando meu primo.

– Tá

Ele correu, os tiros vieram, passavam sobre sua cabeça. Atirei em alguns aliens mais distraídos. Corri em seguida. E vi meu primo perdendo o equilíbrio, caído para frente. Segurei-o rapidamente, puxando para trás.

– Agora estamos empatados.

-Ok, ok – ele apontou para frente, e vi um penhasco.

Como ele aparecera no corredor? Não sei, mas ele estava lá! E não tínhamos tempo para discutir sobre isso!

Fomos pro meu quarto, peguei alguns equipamentos e voltamos pro penhasco. Atirei uma flecha com uma corda, que se prendeu na parede ao fim do corredor.

– Rápido! Os aliens estão chegando! – disse Leonardo.

Amarrei o outro lado da corda em algum lugar, me segurei na corda e atravessei. Atirei em alguns aliens que se aproximavam enquanto meu primo atravessava o penhasco.

-Pronto… Estamos na cozinha.

Viramos-nos, e percebemos que estávamos em um campo de lava… Lava brotava da pia, e estava rapidamente tomando a cozinha.

-Rápido! Vamos subir nas cadeiras! – Gritei, já subindo em uma.

Leonardo subia, mas seu pé escorregou, e ele caiu no chão.

-Nãããooo! Leeeoooooooooo!

-Ahhhhh! – Gritou ao bater a cabeça no chão, meio segundo depois, foi tomado pela lava – Eu estou derretendooooo!

A cadeira começava a derreter e a lava a subir. Pulei cima da mesa, e depois para o armário. Os aliens por sua vez, pararam. Ao invés disso, sua “chefa” apareceu. Tinha 1,67, era meio gordinha, tinha cabelos longos, rosto de bolacha, e era minha mãe.

– Sai já daí de cima! Os dois, fora da minha cozinha! Já disse pra brincarem lá fora!