Posts com Tag ‘minha mente’

Faísca

Publicado: dezembro 16, 2013 por slyfer052 em cronicas
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Algumas vezes, já me imaginei quebrando tudo que encontrava no caminho. Desejei.

Mas, no caminho? Talvez não. Em tudo! Tudo!

Quebrando, rasgando, jogando tudo, em tudo, ao todo.

Com uma pequena faísca que se acende e queima tudo, eu observaria de perto ansioso, curioso e vívido. Realizado?

Mas uma pequena faísca seria capaz de tanto?

Queria que sim.

Entretanto, não quero que queime tudo de uma vez.

Deve primeiro aquecer, lembrar do inferno temporal, da sede. Depois fazer tudo murchar, se contorcer em cinzas, apodrecer. Isso enquanto tudo vira pó e a fumaça é lançada para longe, deixando de existir.

Será que uma faísca é capaz de tanto?

Talvez deva desejar mais.

Clocks do tempo

Publicado: dezembro 18, 2012 por slyfer052 em Contos
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Clock clock

O tempo vem me dizer

Clock clock

Vou lhe responder

 

Mas ele não me escuta

Clock clock

Está apenas a se entender

Clock clock

 

Minha mente presa no porque balançar

Clock clock

De um lado para o outro, do outro pra cá

Clock clock

 

Não se justifica

Clock clock

Está a tocar

Clock clock

 

Clock

Clock

O tempo vai parar?

Onde estão?

Publicado: novembro 25, 2012 por slyfer052 em Contos
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Sem idéias.

Eu esperava, mas elas não surgiam.

Eu queria! Eu precisava!

E elas, me ignoravam… Onde estariam elas? Idéias.

Olhei embaixo da minha cama, nos meus bolsos, e nada encontrei. Procurei dessa vez com mais dedicação! Todavia, também não estavam lá, ou cá.

Idéias!

Elas continuam a me ignorar ou a se esconder, não sei ao certo…

Por que fazem isso comigo? Por que se escondem de mim?

Minha alma me consumia aos poucos, precisava pensar, precisava dividir esse pensamento, mas pra isso, precisava de um pensamento! De uma idéia!

Cansado, derrotado e iludido, sentei no sofá. Minutos depois, desmaiei, tendo milhares de sonhos e idéias que, ao acordar, não iria me lembrar. E eu, perderia esse sonho para sempre.

Idéias, porque fogem de mim?

Por pouco

Publicado: novembro 15, 2012 por slyfer052 em Contos
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O vento emudecido, a vida tardia e a lotação populacional.

 

A estação empoeirada, as pernas exaustas e as luzes em movimento.

 

As pessoas do outro lado olhavam para todos os cantos com um desprezo eminente, não sei se cansadas ou apenas tristes. Entre nós os ratos a corriam entre os trilhos, fugindo, brincando e vivendo. Era comum, tudo aquilo. Desde minha mente delirante aos barulhos de carros ao fundo. O vento passou. Vuuhhhhhhhhh.

Que frio – ouvi algumas pessoas falando, mas não estava.

Olhei distantemente ao horizonte e vi dois pequenos brilhos se aproximando. Forcei meus olhos para enxergar melhor e então, como se minha mente voasse em meio a uma forte tontura, como se algo tomasse minha consciência, minha visão se enturvou e me vi caindo verticalmente enquanto os faróis se aproximavam. O céu nublado, os trilhos, e as luzes em minha direção. Uma tranquilidade me tocou tão forte quanto a sensação de um trem passando por cima de mim, fiquei em paz, minha respiração se foi e com ela meus batimentos.

Vuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Um tufão passou rasgando meu tímpano e me expulsando de minha mente. Meu transe se quebrou, foi por pouco.

Meu coração disparou enquanto minhas pernas se tremiam. E lá estava eu, em frente aos trilhos, ao trem em rasante, trêmulo, com a respiração ofegante e suando frio…

Foi por pouco.

Nossa existencia

Publicado: agosto 15, 2012 por slyfer052 em Contos
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– Vamos?  -Ela perguntava com aquele sorriso bobo e os olhos de maquiagem manchada.

Estávamos longe de todos, longe de tudo. A oferta mexia comigo e com meu ser desesperado e curioso. Ao mesmo tempo, era simples demais e eu queria algo mais! Mais complexo! Maior! Melhor!

Ela dizia que seria o ideal para nós dois.

Estava perplexo com tudo, confuso, e perdido… Mas não sei porque, tranquilo. Talvez por estar com ela e a mesma me acalmar só em estar diante de mim, ou talvez por estar chegando o momento da decisão. Entretanto, a proposta ainda me indagava, me segurava, trancava a alma.

Eu queria, mas temia…  Seria algo surreal!

Perfeito.

Talvez fosse a melhor coisa da minha vida, da nossa. E Talvez – Me deixei ir – não devesse perder essa chance…

– Vamos? – Ela perguntou novamente rindo de minha quietude…

Não pronunciei uma palavra, apenas sorri, ela compreendeu de imediato e nos beijamos. Nenhum sentimento ou preocupação se formou em minha mente. Estava em paz comigo e com o mundo.

Então, de mãos entrelaçadas demos um passo, o passo mais lento de toda minha vida.

Caímos, e nossa existência se foi para sempre.

A janela

Publicado: julho 20, 2012 por slyfer052 em Contos
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O teto mudo me fitava. E eu a ele. Ficamos nos encarando por tempos desconhecidos enquanto simplesmente ouvia o gotejar da caixa d’água quebrada.

Levantei de relance com uma brisa gélida que passou pela janela. Diante de meus olhos apenas quarto revirado, desde roupas no chão aos cadernos e papéis espalhados. “Isso” é o meu quarto.

A janela balançou com o vento, olhei a ela e vi apenas a casa escurecida pela noite do outro lado da rua. Sem motivo algum, debrucei sobre ela. As casas já caladas estavam em frente, mas estranhamente o que me chamou atenção foram as luzes dos postes, haviam colocado uma luz de cor alaranjada em todos. Não sei se aquilo dava um ar novo ao cenário, ou se apenas dava um bom contraste com a lua sobre uma pequena neblina distante. Enquanto isso, via o ar quente sair de minha boca e desaparecer. Silencio? O silencio da cidade, carros e cachorros que uivavam a noite eram ouvidos ao fundo, mas ainda era silencioso.

Prazeroso.

Observando, longe, pensando, vagando.

Acorrentado

Publicado: março 2, 2012 por slyfer052 em poemas
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E naquela pequena casa do bosque eu vivia acorrentado. Sempre no canto amarrotado. Da janela apenas observava os pássaros a cantar. Livres a voar.

Eis que então, um dos pássaros veio a mim dialogar. Parecia com pressa, sempre a cantarolar.

– Porque está com essa cara amuada meu caro rapaz¿

Não ousei, mas minha alma se pôs a falar:

– Aqui estou acorrentado, trancafiado nesse lugar!

-Mas não vejo nenhuma corrente a te amarrar – Disse com uma duvida no ar – Venha se divertir conosco, estamos a cantar!

Assim, meu corpo se mexeu finalmente, quebrando as correntes que a muito prendia minha mente.