Posts com Tag ‘o vento’

Por pouco

Publicado: novembro 15, 2012 por slyfer052 em Contos
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O vento emudecido, a vida tardia e a lotação populacional.

 

A estação empoeirada, as pernas exaustas e as luzes em movimento.

 

As pessoas do outro lado olhavam para todos os cantos com um desprezo eminente, não sei se cansadas ou apenas tristes. Entre nós os ratos a corriam entre os trilhos, fugindo, brincando e vivendo. Era comum, tudo aquilo. Desde minha mente delirante aos barulhos de carros ao fundo. O vento passou. Vuuhhhhhhhhh.

Que frio – ouvi algumas pessoas falando, mas não estava.

Olhei distantemente ao horizonte e vi dois pequenos brilhos se aproximando. Forcei meus olhos para enxergar melhor e então, como se minha mente voasse em meio a uma forte tontura, como se algo tomasse minha consciência, minha visão se enturvou e me vi caindo verticalmente enquanto os faróis se aproximavam. O céu nublado, os trilhos, e as luzes em minha direção. Uma tranquilidade me tocou tão forte quanto a sensação de um trem passando por cima de mim, fiquei em paz, minha respiração se foi e com ela meus batimentos.

Vuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Um tufão passou rasgando meu tímpano e me expulsando de minha mente. Meu transe se quebrou, foi por pouco.

Meu coração disparou enquanto minhas pernas se tremiam. E lá estava eu, em frente aos trilhos, ao trem em rasante, trêmulo, com a respiração ofegante e suando frio…

Foi por pouco.

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A janela

Publicado: julho 20, 2012 por slyfer052 em Contos
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O teto mudo me fitava. E eu a ele. Ficamos nos encarando por tempos desconhecidos enquanto simplesmente ouvia o gotejar da caixa d’água quebrada.

Levantei de relance com uma brisa gélida que passou pela janela. Diante de meus olhos apenas quarto revirado, desde roupas no chão aos cadernos e papéis espalhados. “Isso” é o meu quarto.

A janela balançou com o vento, olhei a ela e vi apenas a casa escurecida pela noite do outro lado da rua. Sem motivo algum, debrucei sobre ela. As casas já caladas estavam em frente, mas estranhamente o que me chamou atenção foram as luzes dos postes, haviam colocado uma luz de cor alaranjada em todos. Não sei se aquilo dava um ar novo ao cenário, ou se apenas dava um bom contraste com a lua sobre uma pequena neblina distante. Enquanto isso, via o ar quente sair de minha boca e desaparecer. Silencio? O silencio da cidade, carros e cachorros que uivavam a noite eram ouvidos ao fundo, mas ainda era silencioso.

Prazeroso.

Observando, longe, pensando, vagando.

Normal

Publicado: abril 17, 2012 por slyfer052 em Contos
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E lá estava eu, apoiando meus cotovelos na suja janela do meu apartamento corriqueiro observando as nuvens se mexerem lentamente, sendo apenas empurradas pelo gélido vento que balançava meus cabelos. Estava frio. Ao olhar pra baixo via algumas pessoas andando apressadas enquanto mais adiante via os carros no engarrafamento. Normal. Nada novo, tudo normal. Não era o que eu queria, na verdade, eu precisava de algo novo. O que? Não sei sinceramente, mas precisava. Tirei os cabelos sobre meu rosto, e olhei para o horizonte, cinza. Prédios e nuvens, isso era tudo. E naquele cenário morto, eu imaginei, desde aliens até desastres naturais, de monstros gigantes á doenças espalhadas pelo vento rasante. Nada acontecia efetivamente, mas eu continuava ali a pensar. Precisava de algo! Eu queria algo!

Então, num baque de realidade, o vento soprou forte me deslocando da janela. Fechei a em seguida, e voltei pra minha vida de sempre.

Normal.