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Acabe com isso

Publicado: março 3, 2013 por slyfer052 em poemas
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Dou lhe as balas. Atire, vamos! Acabe com isso.

Eu suplico

De uma dor a um buraco. Minutos.

Escasso.

Sede de algo melhor.

Pior.

Dos olhos fúnebres a uma estranha vermelhidão.

De um ardor intenso, que me força a tentação.

Dou lhe as balas. Atire, vamos! Acabe com isso.

Que martírio, que ridículo…

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As poções que escolhemos

Publicado: janeiro 16, 2013 por slyfer052 em Contos
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E numa pequena casa de bruxa estava eu, enfurnado, no meio a tralhas e poções.  Com um cheiro de poeira que fazia minha rinite atacar.

Atchin!

– Me desculpe, é que acabei de chegar à vila. Tenho muita coisa pra arrumar ainda – Tossia a velha.

Não respondi, mas assenti com a cabeça. Sentei a mesa por uns instantes, visualizando suas receitas de bolo e suas poções esquisitas, alguns livros estavam espalhados ali perto. Peguei o primeiro. Estava mega empoeirado, me segurei para não tossir em cima do mesmo e tirei o pó da capa, minha mão ficou com um acumulo impressionante de poeira. Forcei meus olhos e vi o titulo: “50 poções de cinza”. Um barulho estranho saia do caldeirão sob a clareira, provavelmente após a bruxa ter jogado no caldeirão algumas pétalas azuis de esperança. Aquilo soava como um apito. E pronto! Soprava-se a fumaça!
Uma nova poção estaria pronta em breve.

E ela veio em direção a mim, limpou a mão suja de chifre de bode no próprio manto preto e sentou-se a minha frente. Sua face, não tão “boa” quanto sua habilidade mágica, ou demoníaca.

Porém. Então. Por fim.
Quem sou eu para julgá-la?

Fazia o seu papel, e eu o meu.

Ela ergueu suas mãos por sobre as minhas, pairando as pelo ar. Sentia suas unhas cumpridas prontas para fincar em meus braços, e sugar toda minha alma…

Era gélido. Temeroso. Atormentador.

Recuei minhas mãos antes que o ocorresse.

– Então você procura por algo?

– Procuro… – Era algo obvio, ou o que estaria eu fazendo lá afinal?

– O que?

Pensei um pouco, por mais que eu saiba já esperava responder por isso. Algo era buscado de minha memória, tentado buscar, ao menos. Entretanto, falei.

– … Não sei. Esperava que você soubesse.

– Sou uma bruxa, e não advinha! MUWAHAHAHAHAHA!!! – Ela riu curvando-se pra trás enquanto um estranho e brilhante relâmpago era projetado pela janela atrás da mesma.

Sabe, não que eu entenda muito de feitiçaria, mas eu realmente imaginava que ela teria algum poder sobre isso.

– Admita, foi engraçado, haha – “ela havia feito alguma piada?”.

Bufei.

– Pode me ajudar ou não?

– Hm… – Deu uma leve fungada, e espalhou algumas poções e doces por cima da mesa. Umas de frascos grandes com líquidos azuis, outras amarelas com linhas laranjas transcendendo em alguns pontos, e vários outros fracos de diversos tamanhos. Pequenos, médios, grandes, largos, finos, coloridos, monocromáticos, fracos, fortes, de cheiro azedo e de cor de alergia a gatos.

Vários.

E um deles me chamou atenção. Mas não estava no meio da mesa.
Distante daquele cômodo, no topo de uma estante torta havia um frasco. O fitei por instantes. Era ele!

A bruxa, maldita, sorriu de canto de rosto, um sorriso falso, enrugado e emputrecido pelo tempo!

– Aquele é perfeito pra você – Ela disse com os olhos entreabertos, se regozijando por dentro. Via o êxtase em seu olhar – Mas não lhe fará bem… – riu suavemente.

Olhei novamente o frasco, ele brilhava iluminado pelas chamas da fogueira. Totalmente escuro.

Negro.

Ela levantou da cadeira, e com passos mancos pegou o frasco colocando em cima da mesa, como se quisesse me testar.

Olhei a ela, ao seu desafio de me forçar a pegá-lo, e a ela novamente.

– O que faz esse… ? – Perguntei finalmente

– Ele lhe fará pensar o dia todo, indagará o indagável, mas lhe tomará de um jeito inexplicável! – disse ela se animando com a conversa, parecia que sua mente delirava com o caminho que a conversa tomava – Não lhe recomendo…

Pensei por segundos, talvez…

Os coocós do relógio batiam, aquele estranho relógio de corvos. Se é que corvos faziam aquele barulho…

Vidrei-me ao frasco outra vez. Outra? Os fluidos do mesmo se mexiam perante a mesa velha de madeira e a gravidade… Era doce.

Ela estava fascinada com meu observar curioso. Curiosa também, ironicamente.

Enfim, segurei-o e pude sentir um poder estranho em mãos… Girei-o vendo de todos os ângulos, e notei ao topo escrito nas língua das bruxas:

“true love”

– O que significa?

– Sentimento fatal… – respondeu rapidamente, ainda com o sorriso ácido em sua face rugosa.

Pensei no que me falara, e no quão verdadeiro isso poderia ser. Ela é uma bruxa, ela mente sobre tudo, esconde tudo. O girava em minhas mãos, absolutamente negro. Perplexo, mas não a fundo. Ela poderia estar mentindo, ou não. Todavia, porque aquilo me chamava tanto a atenção?

Curiosidade?

Necessidade?

Os dois…

– Eu vou ficar com ele – disse determinado.

Ela estendeu novamente suas mãos sobre meus braços perpendiculares a mesa. Esticou seus dedos e projetou suas unhas velhas e gigantescas em mim, de meus antebraços à minhas mãos. Prendi meu grito dolorido, enquanto algumas gotas de sangue suavemente saiam de meu braço… e outras gotas de meus olhos.

– É isso… Exatamente isso… – Sorriu.

Foi o único dia em que vi a bruxa, o último. Mas minhas lembranças daquele dia ainda estão surpreendentemente frescas em minha memória.

Eu bebi o frasco e senti um gosto de margaridas amassadas por fadas. Era realmente doce, mas amargo. Engoli. E foi então que senti meu peito bombar, vibrar intensamente, clamar, chorar, e amar.
Não entendia o que era tudo aquilo, não que hoje entenda, só que… Era diferente.

Era forte.

Era bom.

Era… Dolorido.

Morri 2 anos depois… De desgosto, de amor, de desilusão?

Engraçado, disso não lembro.

Porém, espero que isso não importe, pois para mim não importou. Só quero que minha carta chegue ao mundo dos vivos logo, aqui as pessoas não são muito de ler elas só querem saber de jogar cartas e fofocar sobre os vivos, e sabe… Precisava compartilhar isso com alguém.

Por fim, isso é apenas a história de como adquiri a poção, do amor?… haha… Da experiência.

Clocks do tempo

Publicado: dezembro 18, 2012 por slyfer052 em Contos
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Clock clock

O tempo vem me dizer

Clock clock

Vou lhe responder

 

Mas ele não me escuta

Clock clock

Está apenas a se entender

Clock clock

 

Minha mente presa no porque balançar

Clock clock

De um lado para o outro, do outro pra cá

Clock clock

 

Não se justifica

Clock clock

Está a tocar

Clock clock

 

Clock

Clock

O tempo vai parar?

Onde estão?

Publicado: novembro 25, 2012 por slyfer052 em Contos
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Sem idéias.

Eu esperava, mas elas não surgiam.

Eu queria! Eu precisava!

E elas, me ignoravam… Onde estariam elas? Idéias.

Olhei embaixo da minha cama, nos meus bolsos, e nada encontrei. Procurei dessa vez com mais dedicação! Todavia, também não estavam lá, ou cá.

Idéias!

Elas continuam a me ignorar ou a se esconder, não sei ao certo…

Por que fazem isso comigo? Por que se escondem de mim?

Minha alma me consumia aos poucos, precisava pensar, precisava dividir esse pensamento, mas pra isso, precisava de um pensamento! De uma idéia!

Cansado, derrotado e iludido, sentei no sofá. Minutos depois, desmaiei, tendo milhares de sonhos e idéias que, ao acordar, não iria me lembrar. E eu, perderia esse sonho para sempre.

Idéias, porque fogem de mim?

Ingênuidade

Publicado: outubro 25, 2012 por slyfer052 em Contos
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A garota desceu da cama, colocou seus pequenos pés no chão gelado e foi até a janela. Esticou-se para abrir a trava e empurrá-la, com um “crank” mal feito, a janela se abriu e uma brisa suave bateu em seu rosto, balançando seus curtos cabelos. Do outro lado, a lua brilhava num tom mórbido, linda, com algumas nuvens cinzentas em volta. Seus olhos brilharam ao ver algo alem daquele quarto, e simplesmente, deitou sua cabeça sobre a janela apoiada com os braços.

Tossiu um pouco, mas não saiu dali. Um zunido alto invadia seus ouvidos, o vento se intensificava. Todavia, ela queria ficar ali, por algo, não sei, não se sabe, nem ela sabia… Ela sentia.

Um suave sono infantil estava a domando pouco a pouco, bufou. Seus olhos lagrimejaram e começaram a se fechar lentamente, então piscou forte duas vezes para tentar despertar. Piscou mais uma vez, e quando abriu os olhos tudo parecia diferente. O sono já não era sentido. Desencostou a cabeça dos braços então, e olhou curiosa para a lua, a mesma continuava lá, mas algo estava diferente.

– Boa noite.

A pequenina olhou de volta para o quarto, e no canto, sim, aquele canto escuro que a luz amarelada do abajur mal alcançava, dele havia alguém. Não conseguia o enxergar perfeitamente, algo envolta do mesmo estava a tirar sua nitidez.

– Quem é você? – Perguntou ela sem hesitar, curiosa.

Ele ficou surpreso pela curiosidade da garota, e principalmente, o fato de não a ter assustado.

– Ora, sou aquele a quem todos visita um dia – A voz aveludada percorria a sala silenciosa, num tom grave e profundo.

Ela se atentou, e olhou o ser mais uma vez… Dos pés a cabeça…

– Não sei quem é você, É algum um médico?

– Você queria que eu fosse um médico?

– Não…

– Então eu não sou um médico.

– E o que você é?

– Sou eu que vou lhe levar embora – Se aproximou dela, e deixou que a luz da lua o iluminasse.

– Mas… – Fez uma pausa para analisar o sujeito – Por que vai me levar embora?

– Porque está na hora, minha querida – Passou os dedos esqueléticos sobre a testa da garota – Vamos?

– Mas… Você vai me levar aonde? – Naquele momento, não se soube se fora a curiosidade, a esperança, ou o medo que impulsionaram essa pergunta.

– Pra um lugar melhor… – disse tranquilo.

Ela pensou por alguns instantes no significado dessas palavras, refletiu, e concluiu.

– Vai ter bolo lá, né?

A criatura mostrou singelamente seus dentes, rendendo-se a ingenuidade da menina.

– Sim, pode ter bolo por lá…

– Então vamos! – disse num salto de alegria, indo até a porta e a abrindo lentamente, então parou, confusa… – A mamãe pode vir junto?

Ele olhou para a mãe da garota, dormindo na poltrona ao lado da cama, exausta.

– Ela vem, só não agora.

Ela concordou, olhou a lua uma ultima vez. Brilhante.

Abriu a porta.

– moço, você é muito engraçado sabia?

– Sou?

– É… – tentou conter a risada –… Nunca vi um homem de vestido preto… Hahahá

Ele se manteve em silencio, e a menina, segurando a mão da criatura passeou por um longo corredor, de silencio e paz…

As gaiolas do tempo

Publicado: outubro 7, 2012 por slyfer052 em poemas
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… Voei. Voei. Voei. Numa gaiola cheguei.

Gaiola estranha de ampla dimensão, de pensamentos próprios em eterna execução, mas com tudo a vagar, nunca realizar.

Voei. Voei. Voei. Numa gaiola cheguei…

Nossa existencia

Publicado: agosto 15, 2012 por slyfer052 em Contos
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– Vamos?  -Ela perguntava com aquele sorriso bobo e os olhos de maquiagem manchada.

Estávamos longe de todos, longe de tudo. A oferta mexia comigo e com meu ser desesperado e curioso. Ao mesmo tempo, era simples demais e eu queria algo mais! Mais complexo! Maior! Melhor!

Ela dizia que seria o ideal para nós dois.

Estava perplexo com tudo, confuso, e perdido… Mas não sei porque, tranquilo. Talvez por estar com ela e a mesma me acalmar só em estar diante de mim, ou talvez por estar chegando o momento da decisão. Entretanto, a proposta ainda me indagava, me segurava, trancava a alma.

Eu queria, mas temia…  Seria algo surreal!

Perfeito.

Talvez fosse a melhor coisa da minha vida, da nossa. E Talvez – Me deixei ir – não devesse perder essa chance…

– Vamos? – Ela perguntou novamente rindo de minha quietude…

Não pronunciei uma palavra, apenas sorri, ela compreendeu de imediato e nos beijamos. Nenhum sentimento ou preocupação se formou em minha mente. Estava em paz comigo e com o mundo.

Então, de mãos entrelaçadas demos um passo, o passo mais lento de toda minha vida.

Caímos, e nossa existência se foi para sempre.