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Eu mesmo

Publicado: outubro 7, 2013 por slyfer052 em Contos
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Da escuridão, fui trazido à luz.

Assim, de repente!

Já havia esperado por tanto tempo, que já havia perdido minha esperança. Mas enfim, ele me tirou de lá. Olhou sorrindo pra mim. Todos em minha volta gritavam eufóricos, como se eu fosse a melhor e mais bonita coisa jamais vista do mundo! Ele me colocou em seu colo, acolhendo me com carinho, me senti amado pela primeira vez…

Seria ele meu pai? Não, não era possível. – consenti – Eu era branquíssimo de reluzir o brilho em minha pele, e ele negro como carvão, careca e de olhos estáveis. Se bem que eu também era careca… Mas não, não era meu papai.

Ele foi andando comigo em seus braços por um corredor extenso e entregou nas mãos de outro homem mais velho, este parecia muito mais maduro e inteligente, mas não muito mais. Esse homem mais velho saiu do corredor e me levou a um lugar aberto e arejado, um lugar com muito mais gente! Eles olhavam pra mim felizes, o que me fazia se sentir feliz por eles, simplesmente.

Todavia, eles estavam meio malucos.

Eu devia realmente ser muito foda! Tudo pra eles! Tipo, tinha gente chorando… Sei lá!

Então, depois de um sinal esquisito o moço me passou de para outra pessoa, e foram me passando em sequência. De um pro outro, do outro pra algum, dele pra ele, do depois pro anterior.

As vezes brigavam entre si pra ver quem ficava comigo, era engraçado. Ri bastantinho. Não fazia ideia do que estava fazendo, mas parecia que estava certo. Eu era um ótimo trabalhador! Pera, era meu trabalho fazer o que fazia? não sei… Mas se for, é bem legal até. Será que vou conseguir comprar muita coisa com meu salário? Hm… Talvez um lugar melhor pra eu ficar, naquele meu ultimo era meio apertado e escuro demais.

Então, me colocaram num lugar retangular e gritaram como nunca. Tinha algumas redinhas para eu não ir muito longe… O que era esperto até, estava indo muito rápido as vezes e poderia até me perder! Entretanto, acho que fiz o meu melhor trabalho. Tinha gente gritanto mais que o normal, chegavam ao limite de um berro! Eles gritavam a mesma palavra por uns 15 segundos, ou mais, não sei. Gritavam “GOOOOOOOOOOOOOL!”.

Não encontrei meu pai, não recebi meu salário, mas descobri que bastava apenas seu eu para fazer um povo feliz.

Ilícitez

Publicado: setembro 5, 2013 por slyfer052 em cronicas
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E se não existisse o mundo?

Quer dizer, e se não houvesse local para a gravidade agir? Vagaríamos pelo espaço? Nossa, seria complicado, veria todo mundo! Pera, bem, todas as pessoas já que o mundo não existiria… Mas… Se não tem gravidade, estaríamos rodando pelo espaço… Iriamos trombar com muita gente e as pessoas viveriam brigando, só que dessa vez teriam desculpa… Até que seria engraçado vê-las voando por ae… HAHAHA!!!

Sério! Muito dahora! HAHAHA

– Cara, do que que você tá falando? HAHAHA

– Sei lá! Mas me da mais uma ae… HAHA

– HAHAHA

– HAHA

– HAHA

– HÁ

– HAHÁ

– Sério, me passa mais uma ae…

Inspiração

Publicado: julho 17, 2013 por slyfer052 em cronicas
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Hoje acordei inspirado, mas não sabia que tipo de inspiração era.

Eu iria ficar horas em puro prazer, desenhando? Tocando? Compondo? Escrevendo? Indagava me que tipo de momento eu teria… Que tipo de magia e emoção sentiria…

Afinal, qual inspiração seria?

– A do trabalho! – Respondeu minha chefe.

Algo estranho

Publicado: março 12, 2013 por slyfer052 em Contos
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Então, o exausto urso chegava do passeio em família. Havia ficado horas no shopping esperando sua esposa escolher o melhor lacinho, e gastado fortunas na loja de brinquedo com seu filho – Que dia… Que dia… – Pensava consigo.

Abriu a porta e notou algo estranho. Parecia tudo normal… Todavia algo estava estranho. A sala estava perfeitamente em ordem.

– Vamos comeeeeeeeerrr! – gritou Nicolas, seu guloso filho urso – correndo para a cozinha.

Sua esposa Helena o encarava.

– Que foi amor?

Ele a fitou por segundos -… Nada…

– Não precisa ficar envergonhado, sei que me achou linda com esse lacinho novo – Esbanjou humildade.

– PAAAAAAI!!! –Berrou o pequeno.

O gigante correu para a cozinha e a encontrou em perfeito estado, tirando dois fatores: uma das cadeiras estava quebrada, e uma das sopas que haviam deixado para esfriar simplesmente desapareceu…

Os três se entreolharam assustados. Nunca havia ocorrido algo semelhante com eles… O ursinho agachou perto dos trapos de madeira e segurou as lagrimas.

– Minha cadeira…

A mãe ficou assustada, olhando para a cena. Embasbacada.

Já pai urso começou a investigar por toda a casa, todos os objetos, todos os móveis, tudo nos mínimos detalhes, mas de novo não encontrou nada…

Entretanto, num forte tom de ironia, foi ao tentar se acalmar que sentiu algo estranho no ar… Um cheiro. Logo, a gigantesca criatura subiu as escadas correndo e soltando urros enraivecidos se deparando com uma pequena donzela, dormindo na menor cama da família.

Ela vestia um vestido azul claro, era loira com vários cachinhos, uma graça. Principalmente dormindo com suas mãos juntas sob a cabeça. Linda.

O urso não teve duvidas.

– RRWWWOOOOOOOOAAAAAAARRRRRRR!!! – Rugiu o urso.

O cérebro da pequena pensou em despertar com o susto, com o urso, com a movimentação! Mas antes disso a menina se espatifou contra a parede dura. Pareceu uma boneca voando com a forte patada do urso, e simplesmente se desmontando na parede.

Estava morta a menina.

O filho e a esposa olharam para o pai sem saber o tipo de reação que deveriam ter…

– Pronto, estamos bem agora – Disse o pai urso, tranquilo.

Depois desse dia, o líder da família urso sempre deixou a porta de sua casa aberta. Nunca se sabe quando uma outra ótima refeição poderia entrar em sua moradia.

Minha fuga

Publicado: março 11, 2013 por slyfer052 em poemas
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No tédio.

Para alguns a fome, a preocupação, a tristeza e a ansiedade são algumas das piores coisas que se pode pensar. Pra mim, o pior é pensar. A mente pode qualquer coisa, ao mesmo tempo em que me excita, me apavora! A liberdade dotada em poder ver sangue em flores, poder tudo e nada, me escraviza a pensar. Um terno pensar. O Problema se inicia quando essas fugas de realidade não obtêm êxito.

E é o tédio que me faz fugir.

Pensar.

Os sonhos

Publicado: março 4, 2013 por slyfer052 em Contos
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Encontrei um livro interessante hoje. Na capa, de tom azul escurecido, só havia o título: Os Sonhos. Na contracapa apenas o nome: Antonio Bragança. Mas o livro, Sujo. Velho. Havia sido escrito a tinta, com uma bonita letra que demonstrava certa rigidez e tristeza nas palavras, sentia isso. Algumas páginas rasgadas e manchadas mostravam o quão castigado fora. Talvez pela umidade. O tempo. Ou qualquer outra coisa. Valeram-me 20 reais daquele sebo perto do serviço.

 

Cheguei cansada do trabalho, como de costume. Chega ser irônico eu ter estudado tanto, e não ter tempo algum pra descansar. O trabalho me suga. Estou realmente exausta.

 

Dei uma lida no livro, apesar da linguagem muito rebuscada e de algumas partes cortadas, estou conseguindo acompanhar. Ele conta a história de uma criatura antiga que aterrorizava algumas vilas pequenas no interior do Brasil, não citam a região. É uma escrita áspera, muito descritiva e intensa. Não dá vontade de parar.

 

A documentação estava atrasada, e meu chefe não parava de me encher. Fiquei o dia inteiro com dor de cabeça. Mais tarde fui almoçar com as meninas, A Ágata contou que vai viajar no próximo final de semana, eu devia fazer alguma coisa. O que?

 

A criatura já foi capturada, e fizeram um ritual de sacrifício para a mesma. O personagem principal, Antonio havia aprisionado a besta, e proclamado seu aprisionamento. A vila inteira se reunião para caçoar da criatura, mas besta jurou seu retorno aos poucos que lembrarem dela.

 

Tive um sonho estranho, estava num breu total, mas ouvia passos e passos. Sussurros.

 

Mal consegui dormir, fiquei péssima no trabalho. Além de estranha, não tinha humor ou energia pra nada… A história continua pouco a pouco as pessoas da vila começando a terem visões, algumas começaram a ficar paranóicas! Antonio não conseguia ajudar ninguém, a besta os atacava mentalmente. E ele vira todos sofrerem, sem poder fazer absolutamente nada.

 

Não estou conseguindo mais me concentrar no trabalho. É como se já não aguentasse mais. Talvez devesse pedir as contas.

 

Passos. Risos. Passos.

 

Meu chefe continua descontando toda sua fúria em mim, não sei se ele é mal resolvido com a mulher ou o que, mas pouco me importa. Simplesmente queria que ele sumisse. Ou me ignorasse. Que ódio!

 

Não consigo dormir.

 

Nem o café surte efeito. Duas contas estavam erradas e já havia computado no sistema, vou demorar dias para conseguir revisar todo o balanço da empresa. Mariana disse que estava pálida, que devia procurar um médico. Bobagem.

 

Antonio continuava na ânsia e desespero de salvar seu vilarejo e sua amada, mas a única solução achada foi a de ir até uma bruxa da floresta. Passou-se pela floresta densa de animais selvagens, de insetos asquerosos e cheiros pútridos apenas com sua esperança. A bruxa sorriu ao vê-lo entrando em seu território. E fizeram um pacto.

 

Meu chefe ainda não descobriu meu erro, tenho tempo para revisar. Tempo. Café. Tempo. Café. Já não sinto sono no trabalho, apenas não sinto.

 

Da escuridão, começou a urrar e estapear algo. Não conseguia interpretar o que. Arranhar. Gritavam comigo, e eu chorava! Estava sozinha enquanto murmúrios me rodeavam, gritando e gritando. Não enxergava nada! O ar havia se tornado mais denso, mal respirava. Tudo tremia.

E eu vi a criatura.

Num relance de vultos. Exatamente como era descrita, de olhos amarelos foscos, alta e esguia. Ela me fitava com os dentes serrilhados a mostra e seus braços a balançar pra frente e para trás. Meu coração se gelou. Por dentro eu chorei, gritei e chorei. Como se meu coração tivesse parado de bater.

S

U

M

I

U

Então eu cai. Estava no escritório com as pessoas me olhando boquiabertas. Enquanto eu tentava recuperar meu fôlego, mas não conseguia pensar. Me desesperei. E coberta de suor, e com minhas pernas totalmente tremulas corri pra casa. Está tudo acesso, está de dia, e tudo claro. Não vou dormir e ele não vai me encontrar. Não vou dormir. Não vou dormir. Não vou dormir. Não vou dormir. Não vou dormir. Não vou…

Acabe com isso

Publicado: março 3, 2013 por slyfer052 em poemas
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Dou lhe as balas. Atire, vamos! Acabe com isso.

Eu suplico

De uma dor a um buraco. Minutos.

Escasso.

Sede de algo melhor.

Pior.

Dos olhos fúnebres a uma estranha vermelhidão.

De um ardor intenso, que me força a tentação.

Dou lhe as balas. Atire, vamos! Acabe com isso.

Que martírio, que ridículo…